Debate presidencial francês foca na economia e na dívida pública
Sete dos principais candidatos às eleições presidenciais na França, que ocorrerão em 2027, participaram de um debate acalorado nesta quinta-feira (27). O encontro, realizado a oito meses do pleito, teve a economia e a alta dívida pública como temas centrais.
O país encerrou 2025 com um déficit equivalente a 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e uma dívida pública que se aproximou de 3,5 trilhões de euros, algo em torno de 21 trilhões de reais, representando 115,7% do PIB nacional. Controlar essa dívida tem sido um desafio que derrubou dois primeiros-ministros do governo Macron.
Confronto de ideias entre extremos ideológicos
Os candidatos, que vão da esquerda radical à extrema direita, concordaram que a França enfrenta sérias dificuldades econômicas, mas divergem quanto às soluções. O debate foi organizado pelo Medef, o principal sindicato patronal francês, e ocorreu no complexo de Roland Garros, em Paris, conhecido por sediar partidas de tênis.
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Marine Le Pen, líder das pesquisas e representante da ultradireita, propôs um plano de redução de gastos de 125 bilhões de euros (752 bilhões de reais) e prometeu “reembolsar” a dívida pública. Já Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, defendeu sua proposta de cancelar parte da dívida francesa, sugerindo que o Banco Central Europeu (BCE), que detém cerca de 18% dessa dívida, congele os débitos em especial os contraídos durante o período da pandemia de covid-19.
Críticas e reações no debate
Essa ideia gerou críticas do candidato Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro de centro-direita durante o início da pandemia, que classificou a proposta como “muito perigosa”. Gabriel Attal, outro ex-chefe de governo de centro-direita, também se posicionou contra essa alternativa.
Por outro lado, o eurodeputado social-democrata Raphaël Glucksmann ironizou as críticas, ressaltando a surpresa em receber lições sobre a dívida justamente de dois ex-primeiros-ministros do governo Macron.
Com a disputa presidencial prevista para abril e maio, a corrida se mostra bastante acirrada. As pesquisas indicam que Mélenchon, Philippe, Attal e Glucksmann buscam uma vaga no segundo turno ao lado de Le Pen, que lidera a corrida eleitoral.

