Mostra Bring: união e inovação no cenário de games de Brasília
Computadores de última geração dividem espaço com consoles clássicos como Mega Drive e Dreamcast, além de televisores que vão desde as antigas telas de tubo até as modernas de alta definição. Essa diversidade tecnológica marcou a última edição da Mostra Bring, realizada na sede do Brasília Game Hub, na 305 Norte, no último dia 14 de agosto. Promovido pela Associação de Desenvolvedores de jogos eletrônicos do Distrito Federal (Abring), com apoio do Sebrae no Distrito Federal, o evento reuniu desenvolvedores, estúdios, profissionais da economia criativa e entusiastas do universo gamer para fortalecer a indústria local de jogos eletrônicos.
Resgate de encontros essenciais para o desenvolvimento
Inicialmente informal e realizada em pizzarias e restaurantes do Distrito Federal, a Mostra Bring nasceu como um espaço de troca entre novatos e veteranos da indústria de games. Com o tempo, a Abring assumiu a organização para impulsionar a colaboração no setor. Suami Abdalla, fundador do Kombits Game Studio, lembra que esses encontros eram vitais para o aprimoramento dos jogos. “Cada desenvolvedor levava seu projeto e recebia feedbacks imediatos para ajustar a jogabilidade. Essa troca era fundamental para nossa evolução”, conta.
O evento já chegou a atrair mais de mil pessoas, mas a crise sanitária e o fechamento de espaços físicos, como a Indie House, interromperam essa rotina. “A pandemia dispersou o coletivo. Cada um passou a desenvolver isoladamente, sem a troca que faz a indústria crescer. Eu sentia muita falta disso”, relata Abdalla.
Este ano, a vontade de retomar esses encontros levou Suami a mobilizar a Abring e outros profissionais, que agora se reúnem regularmente no Brasília Game Hub. Além do networking, a mostra serve para apresentar ao público as novidades da cena local, ampliando a visibilidade dos jogos desenvolvidos em Brasília.
Jogos retrô e inovadores em destaque na Mostra
Na edição mais recente, 13 jogos foram apresentados, com propostas variadas. Enquanto alguns são focados em computadores modernos, outros apostam na nostalgia dos jogos clássicos, valorizando pixel art, trilhas sonoras marcantes e mecânicas simples, mas desafiadoras.
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Suami Abdalla apresentou “Athos”, um shoot ‘em up desenvolvido para Mega Drive e Dreamcast que combina o estilo clássico com elementos modernos de progressão, onde o jogador se fortalece a cada tentativa. Lançado em cartucho físico, o jogo já é sucesso de crítica e vendas, garantindo royalties mensais ao desenvolvedor.
Já Lahiri Abdalla trouxe a demo de “Conto de um Gato”, uma visual novel que transforma Brasília na mística “Cidade do Retângulo Sagrado”. O jogador controla um gato em uma trama não linear ambientada na capital, com fotografias reais como cenário. Para Lahiri, o contato com o público na Mostra é essencial para detectar falhas e aprimorar o jogo antes do lançamento oficial.
Experiência e diversidade impulsionam o setor
Philippe Alves, do Uruca Game Studio, apresentou “Legacy of Evil”, um RPG inspirado na era de ouro do Super Nintendo e Mega Drive, que combina combate intenso e estratégia. Ele destaca que a Mostra Bring é fundamental para conectar desenvolvedores com o público e fortalecer o mercado local.
Outro destaque foi Gabriel Leite, da Cabana Game Studio, que mostrou “The Tale of Mara and Moa”, jogo que mistura a nostalgia dos anos 1990 com identidade visual brasileira. A participação na mostra permitiu a Gabriel obter feedbacks valiosos antes do lançamento previsto para o mês seguinte.
Eduardo Azevedo, do Crit 42 Studio, apresentou quatro jogos em desenvolvimento, entre eles “Hex-Seculum”, que simula RPGs com mapas hexagonais, e “Seven Blasphemies”, focado em fantasia sombria e sobrevivência. Para ele, a interação com o público é vital para garantir a aderência dos jogos ao mercado.
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Novas tecnologias e gestão estratégica na indústria local
Alberto Miranda traz uma trajetória atípica na indústria brasiliense, atuando com Comunicação Organizacional e gestão estratégica. Ele lidera o desenvolvimento de “MedaManager”, um simulador de gerenciamento inspirado em Medabots, que utiliza inteligência artificial para superar barreiras técnicas. Alberto destaca que a Mostra Bring é essencial para renovar o mercado e atrair novos talentos.
Diversidade e representatividade ganham espaço
Mariana Lima, conhecida como Blue, atua como Game Designer e embaixadora da Women in Games, além de professora voluntária na UnB. Ela reforça que o contato direto com o público é fundamental para validar o trabalho do designer e que a mostra é um espaço importante para debater desafios de gênero na indústria.
Igor Rachid, presidente da Abring, ressalta que Brasília é um polo de talentos em jogos eletrônicos e que a retomada da Mostra Bring demonstra a maturidade do setor. Ele enfatiza a importância do apoio do Sebrae no DF para a profissionalização dos estúdios e a inserção em eventos nacionais, garantindo oportunidades para os desenvolvedores locais.
O papel do Sebrae e a ampliação do mercado
Cláudia Bonifácio, gestora do Projeto Sebrae Conecta Games, destaca que a Mostra Bring é um espaço fundamental para testar, trocar e validar jogos antes do lançamento. Ela reforça a diversidade de perfis presentes na indústria, que vai além do desenvolvimento e envolve programação, design, comunicação, gestão e docência, transformando ideias em oportunidades de negócio.
