A pressão sobre as contas públicas brasileiras
O vice-presidente Geraldo Alckmin falou em São Paulo sobre a importância de criar uma cultura que combata privilégios e desperdícios para que a sociedade cobre os três poderes. No entanto, a dúvida persiste: o Poder Executivo, que detém a maior força política, aceitará essa agenda fiscal?
O avanço do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre foi de apenas 0,2% em relação ao anterior, e até as previsões mais otimistas indicam um crescimento modesto de 2% para 2026 comparado a 2025. Esse cenário econômico limitado agrava a necessidade de ajustes nas contas públicas.
Impactos dos estímulos e o aumento da dívida
O governo tem adotado uma série de estímulos, muitos com viés eleitoral, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos, programas como o Desenrola para controle do endividamento pessoal e medidas para tentar conter a alta dos combustíveis. Apesar de algumas ações acertadas, outras destoam e custam caro aos cofres públicos.
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Como consequência, a dívida pública mobiliária ultrapassa R$ 10 trilhões, o que representa 82% do PIB. Ministros econômicos chegam a autorizar despesas fora do orçamento, numa tentativa de aparentar o cumprimento das regras fiscais, sob subserviência ao presidente da República.
Juros altos e o peso para famílias e empresas
Essa situação exige manter a taxa básica de juros em níveis elevados, próximos a 8% ao ano em termos reais. Essa política beneficia investidores capitalizados, mas pesa sobre empresas que precisam de crédito e sobre famílias, especialmente as de menor renda, que já enfrentam alto endividamento.
Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 84,9% das famílias com renda mensal de até três salários mínimos estavam endividadas em julho, um recorde histórico. Para todas as faixas de renda, o percentual também alcançou 82%.
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Fonte: diretodecaxias.com.br
Desafios para o controle da inflação e equilíbrio fiscal
Com a ameaça de uma crise climática causada pelo El Niño, que pode elevar os preços dos alimentos, manter a inflação em níveis aceitáveis nos próximos meses e em 2027 se torna um desafio ainda maior. A solução mais clara seria o equilíbrio das contas públicas. Porém, com as eleições se aproximando, essa possibilidade parece remota.
Especialistas como Felipe Salto e Josué Pellegrini alertam para a necessidade urgente de mudanças estruturais, incluindo a revisão da regra de reajuste do salário mínimo, cortes no abono salarial, alterações nos pisos constitucionais da saúde e educação, redução das emendas parlamentares, diminuição da complementação da União ao Fundeb e corte dos gastos tributários.
Esses ajustes são fundamentais para evitar que a gastança descontrolada comprometa a sustentabilidade fiscal do país e impacte negativamente a economia real, afetando empregos, consumo e produção.

