Controvérsia na Mostra Brasília do Festival de Cinema
O anúncio da programação do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, divulgado em 18 de agosto, gerou reação imediata entre os produtores locais. A Associação Brasilense de Cinema e Vídeo (ABCV) e a Associação dos Produtores e Realizadores de Cinema e Audiovisual de Brasília (Aprocine) assinaram um documento crítico à seleção da Mostra Brasília, uma iniciativa da Câmara Legislativa do Distrito Federal que distribuirá R$ 298 mil em prêmios.
O ponto central da contestação está na inclusão de obras cujos diretores não têm uma trajetória profissional e artística consolidada em Brasília, apesar de declararem residência no Distrito Federal. As entidades destacam a importância de promover a produção cinematográfica local, feita por realizadores que vivem e trabalham na capital federal, construindo uma identidade cultural própria.
Critérios de Seleção e Debate Ético
Segundo o documento, a simples declaração formal de residência não deveria ser o único critério para definir o pertencimento à Mostra. A carta ressalta que a questão vai além do aspecto jurídico, envolvendo considerações éticas e a coerência com a finalidade da mostra. Uma linha crítica sugere, por exemplo, a inclusão de filmes como “Honestino”, que atualmente está em cartaz, e que se enquadram nos critérios do edital, que exige que as obras sejam inéditas e concluídas em 2025 ou 2026.
Leia também: Festival de Cinema de Brasília: ameaça de cancelamento preocupa Ministério da Cultura
Leia também: Dia dos Pais no Distrito Federal: Vinícola Brasília e Boulevard Shopping unem vinhos, jazz e cinema
A comissão de seleção do ano foi formada por Ana Arruda, Bethania Maia, Daniela Diniz, Marcelo Barbosa e Paulo Duro Moraes. O debate traz à tona a importância de valorizar não só a produção, mas também a trajetória e a contribuição efetiva dos realizadores para o audiovisual local.
Produções Selecionadas para a Competição
Entre os longas-metragens escolhidos estão “Onde moram os irmãos”, de Marisa Mendonça; “Amadeo e o hipotético mundo novo”, de Brenda Lígia e Edu Felistoque; “Mapas”, de Rafael Lobo; e “Nem todos sabem”, de Edileuza Penha de Souza. Já a lista de curtas inclui títulos como “Hacker Leonilia”, de Gustavo Fontele; “A arte perdida da lombada”, de Helena Sarmento e Gabriel Brito; “Vinte Vinte Quatro”, de Davi Pieri; “Isso aqui é várzea!”, de Flávio Costa; entre outros.
Leia também: Cine Brasília: 66 Anos de Cinema e Cultura em Festa
O episódio destaca a tensão entre critérios formais e a valorização da cena cultural local, refletindo um momento importante na agenda do cinema brasiliense, que segue em circulação e desenvolvimento.

