Curta ‘Mariposa’ Representa o Rio Grande do Norte no Festival
“Mariposa”, curta-metragem potiguar dirigido por Alexandre Américo e Pedro Vitor, foi selecionado para a Mostra Competitiva Nacional da 59ª edição do Festival de Brasília do cinema brasileiro. Estrelado por Mãe Bianca de Omolú, o filme estreia no sábado, 12 de setembro, às 21h, no Cine Brasília, marcando a primeira exibição da produção.
O Festival de Brasília recebeu um recorde de cerca de 2 mil inscrições, entre curtas e longas-metragens. A programação reúne mais de 70 filmes nacionais, incluindo documentários e obras de diferentes formatos. Na Mostra Competitiva Nacional, apenas sete longas e 12 curtas foram selecionados, com “Mariposa” sendo o único representante do Rio Grande do Norte entre os escolhidos.
Memória e Território Emolduram a Narrativa do Filme
Gravado na praia de Santa Rita, em Extremoz, região da Grande Natal, “Mariposa” é um filme em preto e branco com 14 minutos de duração que explora temas como memória, rito, natureza e território. A trama acompanha Dona Zefa, interpretada por Mãe Bianca de Omolú, e Oliveira, vivido por Alexandre Américo, personagens que vivem em um espaço marcado por disputas sobre a permanência no local.
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Pedro Vitor, que divide roteiro e direção com Alexandre Américo, é artista multimídia potiguar, pessoa com deficiência e bacharel em Comunicação Social – Audiovisual pela UFRN. O curta também representa o trabalho de conclusão de curso de Pedro, reforçando a importância do projeto para sua trajetória acadêmica e artística.
Produção Afrofabulada e Compromisso Cultural
Para os diretores, a seleção no Festival de Brasília simboliza um avanço crucial para a Torta Plataforma, produtora responsável por “Mariposa”. Alexandre Américo destaca a seriedade do trabalho, desenvolvido por uma rede comprometida majoritariamente por pessoas racializadas e de gênero dissidente, alinhando a produção a um compromisso de repensar os modos de fazer cinema.
“Mariposa” é o terceiro filme da Torta Plataforma, que lançou anteriormente os curtas “Praia das Artistas” e “Bípede” em 2025. O roteiro nasceu do encontro entre os diretores e da conexão de Pedro com as tradições das encantarias, caboclagens, Jurema Sagrada e religiosidades do Candomblé.
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O filme incorpora referências como itãs, contos e narrativas transmitidas em rodas, xirês e rituais ligados às tradições do Candomblé e aos ensinamentos dos Orixás. Oliveira e Dona Zefa surgem como personagens encantados, profundamente conectados ao território de Santa Rita, conferindo à obra uma dimensão afrofabulada que busca dar voz a saberes ancestrais e a experiências territoriais.
Distribuído pela Ebó Filmes, “Mariposa” amplia sua circulação ao participar da principal mostra competitiva do Festival de Brasília, potencializando a visibilidade do cinema potiguar no cenário nacional. Além da sessão oficial, o curta terá uma reprise na manhã do domingo (13), seguida de debate com a equipe, ampliando o diálogo com o público.

