Domínio no Amapá em risco
O senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) consolidou-se nos últimos anos como uma figura central no Congresso Nacional, ocupando a chefia do Senado e do Congresso pela segunda vez. Sua atuação marcou o Legislativo ao impor obstáculos a presidentes como Jair Bolsonaro e Lula, atrasar sabatinas de ministros indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e segurar votações importantes, como a do impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Apesar desse protagonismo nacional, o mandato de Alcolumbre tem origem no Amapá, um dos menores colégios eleitorais do país, com 577.534 eleitores, onde seu grupo político mantém domínio há mais de uma década.
Essa hegemonia, contudo, enfrenta ameaças concretas. Embora Alcolumbre não concorra a cargos neste ano — seu mandato só será renovado em 2030 —, a eleição estadual coloca seu controle político em xeque. O governador Clécio Luis (União Brasil), apoiado pelo senador, enfrenta dificuldades para a reeleição, segundo pesquisa Real Time Big Data de setembro, com 31% das intenções de voto contra 62% do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD). Essa disparidade evidencia uma mudança no cenário político local, especialmente considerando que Macapá concentra 56% dos eleitores do estado.
Disputa acirrada pelo Senado no Amapá
Além da eleição para governador, a corrida pelo Senado no Amapá também expõe a fragilidade da influência de Alcolumbre. Rayssa Furlan (Podemos), esposa do ex-prefeito Antônio Furlan, lidera as intenções de voto com 33%, superando os candidatos ligados ao senador: Randolfe Rodrigues (PT), líder do governo Lula no Congresso, com 20%, e Alliny Serrão (União Brasil), com 9%. Essa situação representa um desafio direto ao cacife eleitoral construído por Alcolumbre em seu reduto.
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A aliança do senador com o presidente Lula, vista como um trunfo para as eleições de 2026, tem buscado fortalecer seus aliados no Amapá. A recente descoberta de petróleo na bacia da Foz do Amazonas foi explorada politicamente, com Lula visitando um navio-sonda da Petrobras ao lado de Alcolumbre, Randolfe e Clécio. Apesar disso, a força do presidente não tem sido suficiente para assegurar a vitória dos candidatos do grupo, sobretudo diante do equilíbrio técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa estadual, com 34% e 32%, respectivamente.
Pressões políticas em Brasília
Enquanto enfrenta dificuldades em seu estado, Alcolumbre também lida com cobranças intensas na capital federal. Recentemente, seu nome foi citado em um relatório apócrifo da Polícia Federal como “alvo estratégico” em uma investigação conduzida pelo ministro André Mendonça. Paralelamente, o senador resiste à pressão para pautar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes no Senado, tema que tem gerado críticas dentro da Casa por conta do chamado “recesso branco” em meio a uma crise institucional.
Essa conjuntura elevou o desgaste político de Alcolumbre em seu reduto. Em 13 de setembro, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) reuniu cerca de 6.000 pessoas em um ato em Macapá contra o senador, ressaltando uma rejeição crescente à “velha política” representada pelo senador na visão dos opositores locais.
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Risco de perda de protagonismo no Senado
Além do cenário amapaense, Alcolumbre acompanha com atenção a renovação de dois terços das cadeiras do Senado marcada para outubro. A ascensão da direita bolsonarista no Congresso preocupa o senador, pois pode viabilizar a candidatura de oposição à presidência do Senado em 2027, ameaçando seu espaço na liderança da Casa.
Mayra Goulart, cientista política da UFRJ, destaca que a polarização nacional, especialmente em torno do STF, tem influenciado a eleição de senadores da extrema direita, o que pode repercutir diretamente na configuração política do Senado e no futuro de Alcolumbre como protagonista em Brasília.
O senador vive, portanto, um momento de dupla pressão: preservar o domínio político no Amapá e assegurar sua continuidade no cenário central da Política Nacional. O desfecho dessas disputas terá impacto direto na dinâmica institucional e na distribuição de poder dentro do Congresso.

