A mobilização de Lula em Ceilândia e sua repercussão política
Na noite de quarta-feira (16), o presidente Lula reuniu milhares de pessoas na Praça do Trabalhador, em Ceilândia, que é a maior cidade do Distrito Federal, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao lado do candidato ao governo do DF, Leandro Grass, das candidatas ao Senado Erika Kokay e Leila do Vôlei, e de representantes do campo progressista nas Câmaras Legislativas Federal e do DF, Lula mobilizou um dos maiores polos eleitorais da capital, que conta com mais de 430 mil eleitores.
Durante seu discurso, Lula destacou temas como soberania nacional, democracia, proteção às mulheres e a melhora das condições de vida da população, refletindo esses compromissos na candidatura de Leandro Grass para o Distrito Federal. O presidente foi ovacionado pela plateia, demonstrando a ressonância dessas pautas junto ao eleitorado local.
A reação da governadora Celina Leão e os reflexos na economia do DF
Na manhã seguinte ao evento, a governadora em exercício e candidata à reeleição, Celina Leão, respondeu rapidamente, acusando Lula de usar o evento como cabo eleitoral. Ela também atribuiu ao governo federal negligência diante da crise econômica do Distrito Federal, ocasionada, segundo ela, por decisões tomadas junto a Ibaneis Rocha, Daniel Vorcaro e a base governista na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A crise envolve a situação do Banco de Brasília (BRB), que entrou em estado de emergência para adquirir títulos podres do Banco Master.
Celina Leão recorreu a uma narrativa baseada em desinformação e no temor elitista para reagir ao avanço da esquerda na corrida eleitoral. Ela já havia acusado o governo federal de abandono durante a crise do Banco Master, apesar de ter sido citada por Vorcaro em mensagens que sugerem seu envolvimento nas negociações. O Banco Central contradisse suas afirmações, responsabilizando Celina pela falta de transparência do governo local nas solicitações de apoio financeiro, especialmente pela não divulgação dos balanços requisitados. Ainda assim, a governadora mantém a acusação de abandono por parte do governo Lula, uma tentativa clara de desviar o foco da responsabilidade de sua gestão na deterioração do Distrito Federal.
O perfil eleitoral e as tensões sociais no Distrito Federal
Em declarações anteriores, Celina Leão afirmou que Brasília não elegeria a esquerda, relacionando essa hipótese à desinformação e à pobreza. Sua estratégia política tem sido focar em uma parcela do eleitorado do DF que não representa a maioria da diversidade social do território, marcado por desigualdades socioespaciais e raciais. Ela busca consolidar uma base eleitoral intermediária que historicamente se distancia das políticas sociais, aproximando-se dos interesses dos setores mais favorecidos, aos quais Celina representa. Essa abordagem ignora que a maioria da população, especialmente os jovens, mulheres e trabalhadores das periferias, reconhece os avanços promovidos pelas políticas públicas.
Leia também: Celina Leão rebate Lula e defende autonomia do BRB em meio à crise
Leia também: Celina Leão lidera corrida ao governo do Distrito Federal com vantagem em pesquisas
Esses cidadãos valorizam os programas de transferência de renda, as iniciativas de empregabilidade, as políticas de proteção às mulheres e as ações para ampliar o acesso à saúde. É essa realidade que se manifestou na Praça do Trabalhador, demonstrando insatisfação com o atraso do Distrito Federal em relação ao restante do país.
Comparação entre avanços nacionais e retrocessos locais em áreas essenciais
O governo federal retomou o Ministério da Cultura, ampliou em R$ 4 bilhões os recursos para o setor audiovisual, incentivou a economia criativa e destacou o cinema nacional como ferramenta de memória histórica, verdade e justiça. Por outro lado, Celina Leão cancelou as comemorações do aniversário de Brasília, criou uma falsa oposição entre Cultura e Saúde, enfraqueceu o Cine Brasília e reduziu o Fundo de Apoio à Cultura, tudo isso sob a promessa de melhorar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).
Na prática, a gestão local enfrenta um déficit de mais de 25 mil servidores na Secretaria de Estado de Saúde do DF, tem a pior cobertura de Saúde Mental do país, adota internações compulsórias e violentas para pessoas em situação de rua, apresenta a maior fila de espera para exames e cirurgias e indicadores de acesso inferiores na Atenção Primária à Saúde (APS). Além disso, os serviços especializados para sobreviventes de violência doméstica, sexual e intrafamiliar demonstram fragilidades.
Desafios na saúde e políticas sociais do Distrito Federal
Em âmbito nacional, o Brasil ampliou unidades de saúde com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), facilitou o acesso a diagnósticos e tratamentos pelo Programa Agora Tem Especialistas e incorporou tecnologias no SUS para expandir o planejamento reprodutivo, como o Implante Contraceptivo Subdérmico de Etonogestrel e o Dispositivo Intrauterino de Cobre, habilitando enfermeiras da Saúde (APS) em seis estados.
No Distrito Federal, entretanto, Celina Leão direcionou recursos do SUS para ações eleitorais, retirando implantes contraceptivos das Unidades Básicas de Saúde e alocando-os em carretas do programa “GDF na Sua Porta”. Além disso, assinou contratos com a rede privada por meio da Tabela SUS Candanga, recusou recursos do novo PAC e aderiu ao Programa Agora Tem Especialistas com atraso, prejudicando o acesso da população à atenção especializada e fomentando a judicialização da saúde para beneficiar empresários do setor.
Leia também: Celina Leão anuncia pré-candidatura ao Governo do Distrito Federal em evento na Ceilândia
Leia também: Lula ataca clã Bolsonaro e critica Ibaneis em evento no Distrito Federal
Educação, segurança alimentar e proteção às mulheres: retrocessos no DF
O governo federal reduziu a insegurança alimentar para 26 milhões de pessoas com o Bolsa Família, promoveu justiça tributária ao isentar do imposto de renda quem ganha até R$ 5 mil, diminuiu a evasão escolar com o Programa Pé de Meia e superou metas do Programa Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, elevando índices de 36% em 2021 para 66% em 2025.
Em contrapartida, Celina Leão desmantelou políticas de assistência social, secundarizou esse setor em favor de políticas higienistas que favorecem a especulação imobiliária na capital. O Distrito Federal foi a única unidade da federação a registrar queda nos indicadores de educação básica, ficando abaixo da média nacional no ensino fundamental, tanto nos anos iniciais quanto nos finais.
Em relação à proteção das mulheres, o Brasil implementou o Pacto Nacional Contra o Feminicídio, a Política Nacional de Cuidados, as Salas Lilás, serviços de saúde mental e aprimorou a aplicação das medidas protetivas de urgência. Já o Distrito Federal registrou aumento de 31% nos casos de feminicídio (contra 4% no país), crescimento de 5,4% na violência doméstica (2,6% nacional) e descumprimento de 2.697 Medidas Protetivas de Urgência.
Perspectivas para o futuro político do Distrito Federal
Este panorama evidencia a distância entre os avanços promovidos pelo governo popular e democrático de Lula e os retrocessos observados no Distrito Federal sob a gestão de Celina Leão. O recado dado na Praça do Trabalhador indica que a população do DF está disposta a superar esse cenário, apoiando candidaturas progressistas como Leandro Grass e Dora Gomes para resgatar a segurança, a saúde e a dignidade na capital do País.

