Encerramento da Mostra Competitiva Nacional com produção do Distrito Federal
Na noite de sexta-feira (18/9), o filme Sabes de mim, agora esqueça, único representante do Distrito Federal na Mostra Competitiva Nacional do 59° Festival de Brasília do cinema brasileiro, encerrou a competição que reúne produções de todas as regiões do país. Dirigido por Denise Vieira, o longa conta a história de Rubia (Pietra Sousa), uma mulher em fuga que encontra refúgio em um dos raros cabarés de Ceilândia ainda em funcionamento, comandado por Margô (Cida Souza), em meio à repressão dos Lanternas.
Uma obra sobre prazer feminino e resistência
Denise explicou ao Correio Braziliense que o objetivo do filme é tratar do prazer feminino dentro de um espaço de proteção e poder. “A prostituta é essa mulher barrada de exercer seu trabalho nas ruas, que encontra no Toca das Gatas, o cabaré da Margô, um santuário que se transforma em uma casa de feitiço”, contou a diretora. “As personagens possuem superpoderes que lhes permitem controlar, de forma sutil, tudo o que ocorre ali.”
O processo de criação envolveu a participação ativa de parte do elenco, muitas das quais com experiência pessoal no trabalho sexual. “Há mais de quatro anos venho construindo essa relação com as personagens. A presença das atrizes foi fundamental para que o filme ganhasse autenticidade, era o único caminho para realizar essa obra”, afirmou Denise, que estreia como diretora e roteirista em longa-metragem. Durante a apresentação no Cine Brasília, ela celebrou a sessão lotada e reivindicou a criação de uma sala de cinema pública em Ceilândia.
Representatividade e conexão com a realidade atual
Moradora do Sol Nascente, Pietra Sousa destacou a importância de integrar o festival. “É extremamente representativo apresentar uma travesti negra em destaque, com uma equipe formada majoritariamente por mulheres de Ceilândia e outras periferias”, comentou a atriz. “Sinto emoção e ansiedade, torcendo para que o filme alcance uma dimensão ainda maior.”
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Apesar do cenário futurista distópico, a narrativa dialoga com questões contemporâneas do país. “No filme, mulheres são perseguidas pelos Lanternas, o que remete à onda crescente de feminicídios no Brasil, às repressões contra manifestações culturais e à luta por profissões marginalizadas. O cinema também enfrenta batalhas pela sua sobrevivência”, refletiu Pietra.
Mostra de curtas e programação do encerramento
Antes da exibição de Sabes de mim, agora esqueça, passaram os curta-metragens Poronga (RO), de Rafael Rogante, que marcou a estreia do estado no festival, e Banho de choque (PE), dirigido por Cíntia Lima. A cerimônia de premiação ocorrerá no sábado (19), das 17h às 20h, no Cine Brasília.
Após a entrega dos prêmios, o público poderá conferir a comédia Verão de lata, do cineasta brasiliense Santiago Dellape. Inspirado em um caso real de 1987 no Rio de Janeiro, o filme acompanha os policiais Brasa (Babu Santana) e Sandra (Samantha Schmütz), de personalidades antagônicas, que se unem diante do surgimento de milhares de latas repletas de maconha nas praias brasileiras. Ambas as atividades são gratuitas e abertas ao público.
Vozes que vivenciam o Festival de Brasília
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro mantém sua energia mesmo perto do encerramento, oferecendo estreias para quem participa pela primeira vez. A jornalista Cecília Peres, 20 anos, comentou sua experiência inédita. “É minha primeira visita ao Cine Brasília e ao festival, e tem sido incrível. A proximidade com o elenco fortalece o entendimento do cinema e a mensagem que ele transmite.”
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Além do impacto de estar no festival, Cecília ressaltou seu apreço pela produção nacional. “Adoro o audiovisual brasileiro e desejo que receba mais valorização. O cinema tem o poder de traduzir realidades e nos tirar da zona de conforto ao apresentar outras perspectivas. Estar aqui é muito importante para mim.”
Moradores de diferentes regiões do Distrito Federal também compartilham essa paixão. O consultor Diogo Carvalho, 41 anos, frequenta o festival há anos. “Eu amo cinema e sempre tento acompanhar o Festival de Brasília. Já assisti desde a abertura com A pele morta até o documentário O adeus Brasília.”
Ao lado do namorado, Diogo destaca o papel do evento na valorização do audiovisual nacional. A professora Linda Kelly, 37 anos, acrescentou: “Esse evento é essencial para divulgar a cultura brasileira. Os filmes são muito interessantes e esse tipo de festival precisa continuar acontecendo.”

