Início do Festival e Celebração da Sétima Arte
O Festival de Brasília do cinema brasileiro (FBCB) abriu sua 59ª edição na última sexta-feira (11), reunindo um público diversificado de artistas, realizadores e representantes do cinema nacional. A cerimônia de abertura foi marcada pela homenagem à atriz Júlia Lemmertz, reconhecida pelo conjunto da obra, e pela exibição dos filmes “A pele morta” (2026) e a versão restaurada do clássico “Brasília – Planejamento Urbano” (1964).
O Festival como Espaço de Resistência e Cultura
Os jornalistas Luiza Garonce e Chico Sant’anna conduziram a abertura, ressaltando que o FBCB é o evento cinematográfico mais longevo do país e um espaço de encontro que acompanha as transformações do cinema brasileiro e da sociedade. Para Garonce, o festival simboliza resistência e perseverança, mantendo-se como um dos grandes acontecimentos culturais do Brasil.
A secretária do Audiovisual, Joelma Oliveira Gonzaga, representando o Ministério da Cultura, reforçou a importância do festival enquanto espaço de convergência cultural e destacou seu papel na luta pela democracia e soberania nacional. Citando Paulo Emílio Sales Gomes, ela lembrou que não existe cinema ou audiovisual brasileiros sem democracia, enfatizando o compromisso do evento com a proteção desses valores.
Homenagens e Reconhecimento Profissional
Fora da Mostra Competitiva, o Festival homenageou a Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo (ABCV), fundada em 2026 por Vladimir Carvalho e Geraldo Moraes, concedendo prêmios aos profissionais da captação de som direto: Acácio Campos, Chico Bororo e Fernando Cavalcante, reconhecidos por seus trabalhos em produções como “Ñande Guarani”, “Romance do Vaqueiro Voador” e “Democracia em vertigem”.
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A cerimônia também prestou tributo a personalidades importantes do teatro e cinema da capital, como Gê Martu, Guilherme Reis, Laura Cardoso e Glória Menezes, entre outros. Destacou-se ainda a homenagem a Orlando Senna e ao produtor Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão, cuja trajetória foi resumida em vídeo institucional.
Júlia Lemmertz e sua Trajetória no Cinema Brasileiro
Ao receber o Troféu Candango pelo conjunto da obra, Júlia Lemmertz compartilhou a honraria com técnicos, diretores e colegas, ressaltando o caráter coletivo e político do audiovisual. Com mais de quatro décadas de carreira, Lemmertz construiu uma filmografia que dialoga profundamente com momentos cruciais do cinema nacional, incluindo trabalhos como “Jenipapo” (1995), “Um copo de cólera” (1999) e “Música para quando as luzes se apagam” (2021).
A atriz enfatizou a importância de contar histórias para preservar a memória cultural do país e para que futuras gerações reconheçam a história do Brasil por meio do cinema. Para ela, o audiovisual constrói uma consciência coletiva ao transformar o sonho e a criação artística em uma imaginação compartilhada.
Programação e Novas Homenagens
Durante a solenidade, foram anunciadas futuras homenagens, como a entrega do Troféu Leila Diniz à cineasta Tata Amaral e da Medalha Paulo Emílio Salles Gomes à pesquisadora Fernanda Coelho. Eduardo Valente, diretor artístico do festival, compartilhou mensagem de Luís Abramo sobre a restauração do curta documental “Brasília – Planejamento Urbano”, de 1964, dirigido por Fernando Coni Campos, em colaboração com Lúcio Costa e Maria Elisa Costa.
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“A Pele Morta”: Narrativa de Ancestralidade e Resistência
O longa de abertura, “A Pele Morta”, foi apresentado por sua equipe criativa, dirigida pelos irmãos Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres, com roteiro de Daniel Tavares e Geraldo Moraes. O filme foi descrito como uma narrativa latino-americana que reforça a ancestralidade indígena e o caráter decolonial, ultrapassando fronteiras geográficas e enfatizando vínculos afetivos e pertencimento.
Bruno Fatumbi ressaltou o posicionamento político da obra, destacando a urgência da questão indígena no Brasil. Ele relatou o impacto da violência sofrida por um dos atores indígenas do filme, vítima de assassinato na aldeia Jaguapiru, Bororó, reforçando o papel do filme como expressão de protagonismo indígena e resistência decolonial.
Resiliência do Festival e Programação Regional
Com mais de 70 produções, o festival deste ano acontece graças à mobilização popular que pressionou a governadora Celina Leão (PP) a liberar o orçamento necessário para a mostra. Após ter sido cancelado pelo Governo do Distrito Federal (GDF) devido à falta de recursos, o FBCB retoma sua programação entre 11 e 19 de setembro, com o Cine Brasília como palco principal, além de eventos em Planaltina, Taguatinga, Samambaia e Ceilândia.
A programação completa está disponível no site oficial do festival. A entrada é gratuita para a maior parte das sessões, com valores reduzidos para a Mostra Competitiva Nacional. As sessões gratuitas no Cine Brasília exigem retirada de ingressos uma hora antes, sujeitas à lotação dos espaços.

