Festival de Brasília consagra “Se Eu Fosse Vivo… Vivia” como melhor longa
O filme “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, dirigido pelo mineiro André Novais Oliveira, brilhou no último sábado (19) ao receber o Troféu Candango de melhor longa-metragem pelo júri oficial na 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A obra mergulha em cinco décadas da vida de Gilberto e Jacira, casal de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, interpretados em diferentes fases por Jean Paulo Campos, Tainá Evaristo, Norberto Novais Oliveira e Conceição.
O filme não se prende a uma simples narrativa familiar; inicia com um realismo cotidiano característico do diretor, mas evolui para elementos de realismo fantástico e ficção científica, revelando camadas complexas na trajetória dos personagens. O longa também recebeu prêmios de melhor roteiro e melhor figurino, consolidando a produção como destaque do festival.
Destaques técnicos e prêmios paralelos
Entre os longas, “Pequenas Tragédias”, de Daniel Nolasco, destacou-se tecnicamente, conquistando cinco prêmios: melhor direção, montagem, trilha sonora, além de melhor ator para Guilherme Théo e melhor atriz coadjuvante para Aivan, dividindo a honraria com Olivia Torres, de “Privadas de Suas Vidas”.
O júri popular reconheceu como melhor longa o documentário “Tudo é Tempo”, de Marcos Guttmann, que também recebeu o Prêmio Especial do Júri e o Troféu Saruê, concedido pelo jornal Correio Braziliense, além de uma premiação em dinheiro oferecida pela Petrobras.
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Mostra Brasília e curtas premiados
Na Mostra Brasília, “Onde Moram os Irmãos”, de Marisa Mendonça, conquistou o título de melhor longa tanto pelo júri oficial quanto pelo popular. Já entre os curtas-metragens da mostra, “Dora”, de Murilo Abreu, levou o Candango pelo júri oficial, enquanto “Hacker Leonilia” foi eleito o favorito do público.
A edição deste ano contou com a presença de 34.810 espectadores durante nove dias, recebendo quase 2 mil inscrições, estabelecendo um recorde para o festival. Os filmes vencedores das mostras Brasília, Nacional e Caleidoscópio terão sessões de reprise no Cine Brasília nos dias 21 e 22, com entrada franca.
Origem inusitada e processo criativo de “Sabes de Mim, Agora Esqueça”
O último longa da competição, “Sabes de Mim, Agora Esqueça”, dirigido por Denise Vieira, teve uma origem curiosa: uma proposta de trabalho em um banheiro de bar na Ceilândia. A trama se passa em uma Ceilândia futurista, onde Rúbia (Pietra Sousa) integra um cabaré clandestino que protege mulheres que vivem do sexo contra agentes opressivos conhecidos como Lanternas.
Com mistura de distopia e fantasia, o filme aborda temas como longevidade, premonições e apagamento da memória. O processo de criação envolveu encontros semanais com o elenco para construção coletiva das personagens e do ambiente, mantendo o roteiro flexível durante as filmagens. Este é o primeiro longa de Denise, que acumula experiência na direção de arte em filmes como “Branco Sai, Preto Fica” e “Mato Seco em Chamas”.
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Premiação completa da 59ª edição do Festival de Brasília
O Troféu Candango da Mostra Competitiva Nacional premiou “Se Eu Fosse Vivo… Vivia” como melhor longa pelo júri oficial e “Tudo é Tempo” como melhor longa pelo júri popular. Daniel Nolasco (GO) foi reconhecido como melhor diretor por “Pequenas Tragédias”. No campo do roteiro, André Novais Oliveira foi premiado por seu trabalho em “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”.
Outros destaques incluem Martha Nowill como melhor atriz por “Privadas de Suas Vidas”, Guilherme Théo como melhor ator em “Pequenas Tragédias”, e Aivan e Olivia Torres dividindo o prêmio de melhor atriz coadjuvante. Nos curtas, “Cana”, de Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro (SP), conquistou o Candango do júri oficial.
Na Mostra Brasília, “Onde Moram os Irmãos” recebeu prêmios de melhor longa tanto pelo júri oficial quanto pelo popular, enquanto “Dora” e “Hacker Leonilia” lideraram entre os curtas. A Mostra Caleidoscópio destacou “Os Fantasmas Gentis” e “Mulheres do Bando” com prêmios da crítica e do júri jovem.
Os nomes institucionais Oliveira (MG), Guttmann (RJ), Nolasco (GO), Ribeiro (SP) e Maia (CE) marcam presença entre os principais premiados, refletindo a diversidade regional da produção cinematográfica brasileira que circula e dialoga com públicos em todo o país.

