Árbitros com Carreiras Diversificadas

Neste domingo, o Super Bowl promete emocionar fãs do futebol americano, mas muitas vezes o que passa despercebido são os árbitros que, além de apitar, têm carreiras em outras áreas. Por exemplo, Shawn Smith, um dos árbitros da partida, atua como gerente de uma filial de uma empresa de planos de saúde em Detroit durante a semana. Essa realidade não é uma exceção, e sim uma norma entre os profissionais que garantem a justiça nos jogos da NFL.

“Os árbitros sempre foram contratados em regime de meio período”, explica Ben Austro, fundador do Football Zebras, um site especializado em arbitragens da NFL. Segundo ele, é comum encontrar advogados, professores e empreendedores que conseguem conciliar suas atividades profissionais com a arbitragem. Essa diversidade de ocupações enriquece o perfil desses profissionais, que dedicam horas extras ao treinamento e se preparam intensamente para atuar em um dos maiores eventos do esporte.

O Caminho para a Elite

Ao longo dos anos, a liga tem buscado os melhores árbitros disponíveis, seja no futebol universitário ou em outras ligas. A seleção é feita com rigor, utilizando uma vasta rede de olheiros que avaliam o desempenho dos árbitros. Esses profissionais passam por um treinamento extenso, dedicando entre 40 a 50 horas semanais para se preparar para cada partida da temporada, o que demonstra o comprometimento necessário para atuar nesse nível. “Não é apenas chegar e apitar; há um trabalho árduo por trás de cada jogo”, enfatiza Austro.

No entanto, a pressão também é intensa. Além das responsabilidades em campo, os árbitros enfrentam críticas constantes. Em dezembro, o jogador Puka Nacua, do Los Angeles Rams, comentou em uma transmissão ao vivo que muitos árbitros são advogados que “desejam aparecer na TV”, o que acabou rendendo uma multa de US$ 25 mil para o atleta. Por outro lado, a necessidade de melhores condições contratuais para os árbitros também é uma preocupação. O quarterback Aaron Rodgers, em uma entrevista, sugeriu que seria benéfico se todos os árbitros trabalhassem em tempo integral, dada a pressão e a complexidade das decisões que precisam tomar.

Desafios e Recompensas da Profissão

Contrapõem-se a essas reivindicações as vozes que acreditam que exigir que os árbitros sejam funcionários em tempo integral poderia limitar o número de profissionais qualificados disponíveis. O sindicato dos árbitros da NFL não divulga informações financeiras relacionadas às negociações contratuais, mas estima-se que os árbitros mais bem pagos da liga recebam mais de US$ 200 mil anuais. Diante da possibilidade de lesões que podem interromper a carreira, muitos árbitros preferem manter seus empregos fora do campo, que oferecem uma segurança maior em relação ao futuro.

Austro destaca que a temporada da NFL é relativamente curta, durando apenas 18 semanas, o que dá aos árbitros um período considerável para descansar e se recuperar entre janeiro e maio, quando não há competições.

O Reconhecimento pelo Trabalho Dedicado

Após a temporada regular, os melhores árbitros são selecionados para apitar jogos dos playoffs, com essa escolha sendo feita com base no mérito, embora os detalhes do processo permaneçam confidenciais. O chefe de arbitragem da NFL, Ramon George, tem a palavra final sobre a escolha dos árbitros para o Super Bowl. Shawn Smith, que será o árbitro nesta edição, já tem uma longa trajetória, atuando como árbitro de home plate por oito anos, uma posição de grande prestígio entre seus pares.

“Ele tem um bom domínio do jogo e inspira confiança”, diz Austro, referindo-se à habilidade de Smith em conduzir a partida. Embora ele tenha optado por não dar entrevistas durante a temporada, a expectativa é de que sua atuação contribua para uma partida de alto nível, onde, segundo a análise de Austro, as decisões da arbitragem têm sido, em sua maioria, indiscutíveis.

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