O Papel do MPDFT na Supercopa

A Supercopa, disputada entre Flamengo e Corinthians no último domingo (1º de fevereiro) na Arena BRB Mané Garrincha, foi mais do que um simples jogo; foi um marco para a segurança pública e a organização de eventos esportivos no Distrito Federal. Essa avaliação é do procurador distrital dos Direitos do Cidadão e coordenador da Comissão de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Eduardo Sabo.

Em entrevista ao Metrópoles, Sabo considerou a operação um “êxito pleno” e ressaltou que o modelo de Brasília se tornou uma referência em todo o país.

Preparativos e Inovações Tecnológicas

A atuação do MPDFT teve início na fase de preparação da Supercopa. O órgão não apenas supervisionou todos os aspectos do evento, mas também esteve atento a detalhes cruciais como a quantidade de catracas, a chegada dos ônibus com torcedores, o esquema de segurança e a implementação de um sistema de reconhecimento facial.

Com mais de 71 mil pessoas presentes, o evento foi um teste operacional que demonstrou a eficácia do sistema de reconhecimento facial, que recebeu elogios do MPDFT. O grande destaque foi o funcionamento de mais de 100 catracas equipadas com biometria facial, uma exigência da Lei Geral do Esporte para arenas com capacidade superior a 20 mil espectadores. Segundo Sabo, isso não só garantiu a segurança, mas também acelerou significativamente o fluxo de entrada.

“Normalmente, em um jogo comum, entram de três a quatro pessoas por minuto. Com o nosso sistema, conseguimos acessar de 12 a 18 pessoas por minuto em cada catraca. Isso é bastante significativo”, enfatizou o procurador.

Inteligência e Combate ao Cambismo

Além de agilizar o acesso, a tecnologia se revelou uma ferramenta potente para a inteligência policial. O cruzamento de dados de CPF com imagens faciais permitiu a identificação de pessoas com mandados de prisão em aberto, bloqueando seu acesso e facilitando o trabalho das forças de segurança.

Outro benefício importante foi a redução do cambismo, uma vez que a vinculação dos ingressos ao rosto dos torcedores e a limitação de quatro bilhetes por CPF dificultaram a atuação de atravessadores. “Esse foi um desafio, e por isso agradeço à equipe do Metrópoles Sports, à Secretaria de Segurança Pública e à equipe técnica da Arena BRB. Todos se uniram para garantir o funcionamento adequado dessas catracas”, comentou Eduardo Sabo.

Integração de Esforços para o Sucesso do Evento

Para o MPDFT, o êxito da Supercopa, que não registrou incidentes, é atribuído à integração prévia entre diversas instituições, incluindo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), o Departamento de Trânsito (Detran), a Polícia Militar, a equipe de organização do Metrópoles e a equipe da Arena BRB.

Sabo acredita que essa coordenação elevou Brasília a um patamar de excelência em organização, superando praças tradicionais do futebol brasileiro. “Atualmente, eventos como shows e jogos de futebol na capital estão sendo mais bem organizados, e o público é melhor atendido do que em cidades como Rio de Janeiro ou São Paulo. Esse modelo está se tornando um exemplo para outros estados do Brasil”, afirmou.

Campanhas de Conscientização e Cidadania

O jogo também serviu como plataforma para ações de conscientização social lideradas pelo MPDFT. A campanha “Cartão Vermelho para o Racismo”, em parceria com a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), distribuiu cartões aos torcedores, incentivando-os a levantá-los em protesto contra a discriminação. Além disso, o videoclipe “O Cravo e a Flor”, do grupo Tribo da Periferia, foi exibido como parte de uma campanha de combate ao feminicídio.

“Precisamos mudar a cultura e dar um basta na agressão. A receptividade tem sido incrível. O clipe faz as pessoas refletirem e se engajarem contra a violência de gênero”, destacou o procurador.

Um Balanço Positivo e Futuro Promissor

O procurador Sabo compartilhou uma avaliação otimista sobre o evento, que incentiva a expansão do uso de tecnologia em outros eventos culturais e cívicos da cidade. O objetivo, segundo ele, é garantir que a arena possa acolher famílias e crianças com segurança. “O saldo é de transparência, segurança e agilidade”, concluiu.

Sabo acompanhou a partida e reiterou a importância da atuação do MPDFT na segurança do evento. “Estamos aqui para que os grandes eventos no Distrito Federal sejam sempre organizados e pacíficos, como é o direito da população”, finalizou.

Organização Exemplar no Megaevento

O espetáculo da Supercopa foi destacado não apenas pelo que ocorreu dentro de campo, mas também pela organização fora dele. A Arena BSB e a Bilheteria Digital garantiram um acesso tranquilo e rápido para os torcedores, sejam brasilienses ou turistas que vieram a Brasília. A coordenação do megaevento foi crucial para que todos pudessem aproveitar a vitória do Corinthians por 2 a 0 sobre o Flamengo. Com um público recorde de 71.244 pessoas, o estádio funcionou de forma exemplar, recebendo todos os torcedores antes do início da partida, que teve início às 16h.

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