Condenação por abordagem violenta em Brasília
Em 31 de julho, a Justiça do Distrito Federal condenou o policial Gustavo Gonçalves Suppa a nove meses de detenção, em regime inicial aberto, por utilizar força excessiva durante uma abordagem ocorrida em Brasília, no dia 9 de julho de 2025. Na ação, Gustavo aplicou um golpe conhecido como mata-leão e desferiu socos em Diego Torres na frente do filho da vítima, de apenas cinco anos. Diego estava desarmado e não resistiu à intervenção policial.
Recursos e andamento do processo
Gustavo Suppa poderá recorrer em liberdade. O Tribunal recebeu o recurso da defesa nesta quarta-feira (12), encaminhando o caso para a segunda instância, onde um desembargador realizará o julgamento. A defesa, em contato com a TV Globo, optou por não comentar o processo em andamento.
Na mesma abordagem, outro policial envolvido, Victor Baracho Alves, não foi condenado. Ele aceitou a suspensão condicional do processo, um acordo previsto pelo Ministério Público que pode suspender o processo por até quatro anos, desde que o acusado não possua condenações criminais anteriores ou outros processos abertos. Gustavo Suppa rejeitou essa proposta, o que levou seu caso a ser julgado.
Detalhes da abordagem policial
O episódio aconteceu na Asa Norte, quando os policiais Gustavo Suppa e Victor Alves estavam em um veículo descaracterizado da Polícia Civil do DF, transportando um adolescente e sua mãe até a delegacia. Diego Torres, acompanhado do filho, dirigia outro carro e, conforme relato dos policiais, teria realizado manobras perigosas e colidido com a viatura descaracterizada.
Em seguida, Diego tentou se afastar acelerando o veículo, o que motivou uma perseguição. Gustavo ultrapassou Diego e forçou a parada do carro. Victor desceu da viatura com a arma em punho, apontando-a para a cabeça de Diego e ordenando que ele colocasse as mãos na cabeça. Diego atendeu às ordens, saiu do veículo com as mãos erguidas e foi revistado por Gustavo.
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Enquanto Victor mantinha a arma apontada, Gustavo segurou uma das mãos de Diego para trás e passou a aplicar golpes na outra mão para que ele a abaixasse. Victor algemou Diego, que tentava acalmar seu filho, ainda dentro do carro.
O Ministério Público do Distrito Federal destacou que, durante toda a abordagem, Diego não ofereceu resistência, limitando-se a pedir explicações e a proteger a criança que presenciava a ação.
Mesmo diante do filho, Gustavo aplicou o golpe mata-leão em Diego e o derrubou ao chão. O policial pressionou o joelho nas costas da vítima por vários minutos até a chegada de reforço policial. Victor permaneceu armado, impedindo a aproximação de terceiros.
Mulheres próximas conseguiram retirar a criança do local e se afastar. Victor conduziu Diego até a delegacia, enquanto Gustavo aguardava a chegada da mãe da criança.
As agressões provocaram lesões no punho, joelho, pescoço, antebraço e clavícula de Diego, conforme laudo médico.
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Decisão judicial e consequências
O Ministério Público apresentou denúncia, e a defesa de Gustavo Suppa solicitou a absolvição, argumentando que a abordagem ocorreu em cenário tenso, com estrito cumprimento do dever legal, e que não houve excesso na utilização da força.
O juiz Osvaldo Tovani concluiu que a força empregada após a parada do veículo foi desnecessária e desproporcional, uma vez que Diego já havia demonstrado submissão e estava desarmado. O episódio também ocorreu na presença do filho da vítima e resultou em lesões comprovadas.
O magistrado fixou a pena-base em três meses de detenção pelo crime de lesão corporal de natureza leve e seis meses pelo crime de violência arbitrária, totalizando nove meses em regime aberto.
A sentença inclui ainda a suspensão condicional da pena por dois anos, sujeita a condições a serem definidas, o pagamento das custas processuais e a indenização mínima de R$ 10 mil por danos materiais e morais à vítima.

