Desafios na Educação Pública do Distrito Federal
Ricardo Cappelli (PSB), candidato ao Governo do Distrito Federal, criticou duramente a atual gestão da educação local durante sabatina do Correio Braziliense. Segundo ele, o sistema educacional do DF enfrenta problemas estruturais que comprometem a continuidade do aprendizado. Em sua avaliação, o baixo desempenho do Distrito Federal no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) reflete falhas graves na política atual.
Para Cappelli, é indispensável uma mudança profunda na forma como a educação pública é conduzida. “Esse é o tratamento que a gente quer dar para as crianças especiais na educação do Distrito Federal? Está tudo errado. Precisa mudar e melhorar a educação do Distrito Federal”, afirmou, ressaltando a urgência desse processo.
Orçamento e Experiência em Outros Estados
O candidato comparou os orçamentos do Maranhão e do Distrito Federal para defender a viabilidade de sua proposta de valorização dos docentes. Enquanto o Maranhão dispõe de um orçamento de R$ 38 bilhões para uma população aproximada de 7 milhões, o DF conta com R$ 74 bilhões para cerca de 3 milhões de habitantes.
Cappelli mencionou sua experiência de oito anos no Maranhão ao lado do então governador Flávio Dino, atual ministro do Supremo Tribunal Federal. Lá, o estado conseguiu elevar a remuneração dos professores para um dos maiores patamares nacionais. “Não é que seja promessa. A gente já provou que é possível fazer”, declarou.
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Planos para Valorização e Concurso Público
Embora não tenha detalhado um valor específico para o aumento salarial dos professores no Distrito Federal, Cappelli explicou que o processo seria implementado de forma gradual ao longo de quatro anos. “Eu não sei te dizer qual vai ser o valor, porque os valores vão sendo reajustados nos outros estados ao longo dos outros anos. Agora, é possível fazer isso ao longo dos quatro anos”, explicou.
Além da valorização salarial, o candidato destacou a necessidade de ampliar o quadro efetivo da Secretaria de Educação do DF para reduzir a dependência de profissionais temporários. “Dois terços dos professores, dos profissionais que atuam na rede de educação hoje, são temporários. O professor temporário faz tudo o que pode, mas começa um ano em uma escola e, no meio do ano, muda de escola. Tem professor que passa por duas, três escolas no mesmo ano”, enfatizou.
Essa rotatividade, segundo Cappelli, prejudica a continuidade pedagógica e o acompanhamento dos estudantes. “Como é que a gente consegue ter uma educação de qualidade se, ao longo do ano, numa mesma escola, a gente vai trocando o professor a cada semestre? Não é possível. Não tem um processo de continuidade na formação. Ele não consegue acompanhar os alunos”, afirmou.
Desempenho no Ideb e Compromisso com Novos Concursos
Cappelli criticou o desempenho do Distrito Federal no ensino médio, que recentemente ficou em último lugar no Ideb nessa etapa. “Nós chegamos à marca de ser, no ensino médio, o último lugar no Ideb do Brasil. No que diz respeito à qualidade da educação no ensino médio, chegamos ao 27º lugar”, afirmou.
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Como resposta, ele prometeu zerar a fila de candidatos aprovados em concursos públicos da área educacional e realizar novas seleções para ampliar o quadro efetivo de servidores. “Não só zerar a fila, precisa fazer mais concursos, porque o temporário tem que ser complemento da rede. O temporário virou a regra na rede”, declarou.
Valorização dos Profissionais de Apoio
Além dos professores, Cappelli também defendeu a valorização dos profissionais que atuam diretamente com crianças especiais, como os monitores. Ele destacou que o último concurso para esses monitores aconteceu há quase uma década e que, atualmente, esses trabalhadores recebem remuneração precária. “Tem os monitores que estão atendendo as crianças especiais. Ano que vem faz 10 anos que não tem concurso para monitor. Eles estão sendo cuidados na sala de aula por educadores sociais voluntários, ganhando R$ 80 por dia, de forma precarizada”, explicou.
Sabatina com os Candidatos ao Governo do DF
A entrevista faz parte da série de sabatinas promovida pelo Correio Braziliense com os 11 candidatos ao Governo do Distrito Federal: Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Elisson Ferreira (Agir), Expedito Mendonça (PCO), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Cappelli (PSB), Rico Pinheiro (PRTB), Robson Raymundo (PSTU) e Samara Mineiro (UP).
Cada postulante responde às perguntas da bancada de jornalistas do Correio durante uma hora, apresentando propostas para temas prioritários como saúde, educação e segurança. O evento segue ao vivo até as 18h no canal do Correio no YouTube.

