Tensões Crescentes Entre o agronegócio e o Governo
Na recente entrevista, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Sérgio Lupion, abordou a crescente tensão entre o agronegócio e o governo federal, ressaltando que este é um momento crítico em que o setor precisa do apoio do Executivo. “Estamos vivendo uma verdadeira tempestade perfeita que afeta o agronegócio”, afirmou, referindo-se à necessidade de um Plano Safra robusto e à urgência na renegociação das dívidas rurais.
O deputado ressaltou que o posicionamento da FPA permanece o mesmo dos últimos três anos: “Estamos abertos ao diálogo, mas também não hesitamos em criticar quando necessário. As demandas do setor são fundamentais e precisamos de uma mínima disposição do governo para atendê-las. Infelizmente, essa disposição muitas vezes não está presente, o que nos leva a criticar”.
Conforme Lupion, o governo está se isolando, focando em uma ‘bolha’ que, segundo ele, se opõe ao agronegócio. “As evidências estão aí: as resoluções do Conama e do Conselho Monetário Nacional, além de propostas que dificultam a emissão de notas fiscais para produtores que não são contribuintes. Essas questões estão atrapalhando nosso dia a dia e gerando ainda mais tensão”, declarou.
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Avanços e Desafios no Setor
Apesar das críticas, Lupion não deixou de reconhecer algumas ações positivas do governo, como a abertura de novos mercados, que ampliaram o alcance dos produtos do agronegócio. Contudo, ele destacou que essa política foi iniciada pela ex-ministra Tereza Cristina e continuada por sua sucessora, o que evidencia que a continuidade das boas práticas é crucial para o setor.
Outro ponto levantado pelo presidente da FPA foi a perda de protagonismo do Ministério da Agricultura nas decisões governamentais, o que, segundo ele, enfraquece o setor. “Quando o governo faz algo positivo, nós elogiamos; da mesma forma, criticamos quando necessário. Muitos dos avanços que tivemos foram frutos de reações da bancada contra medidas prejudiciais ao agronegócio”, explicou.
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Ele também destacou a importância de um diálogo constante e frutífero entre o setor e o governo. “Estamos tendo conversas produtivas, mas o tempo é curto. Precisamos evitar danos, como a questão do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes), que está dificultando o acesso ao crédito rural. O ministro da Agricultura está ciente do problema e tem colaborado para encontrar soluções”, afirmou.
Desafios Fiscais e Necessidades do Setor
Entretanto, Lupion expressou dúvidas sobre a capacidade do governo em atender às demandas do agronegócio, citando a irresponsabilidade fiscal como um fator limitante. “O Plano Safra atual abrange menos de 25% do total necessário para o financiamento do setor, e muitos que financiam estão em dificuldades financeiras. Precisamos urgentemente de alternativas”, comentou.
Ele alertou ainda para a questão da renegociação das dívidas rurais, advertindo que a situação está se aproximando de um ponto crítico, similar ao que ocorreu na década de 1990. “É fundamental resolver essa questão, pois um Plano Safra mirabolante não terá eficácia se os produtores estiverem atolados em dívidas e sem acesso ao crédito”, concluiu.
Por fim, Lupion fez uma análise sobre a ideologia política do produtor rural, destacando que, enquanto grandes conglomerados podem apoiar o governo atual, pequenos e médios produtores, em geral, preferem uma administração mais conservadora. “O agronegócio é um setor diversificado, mas muitos produtores sentem que estão sendo punidos por suas visões políticas”, finalizou.

