O Fim de Sete Clubes do Campeonato Brasileiro
O Campeonato Brasileiro de 2026 teve seu início na última quarta-feira (28), e com isso, surge a reflexão sobre a trajetória de clubes que já estiveram no ápice do futebol nacional. Ao todo, 161 equipes participaram do torneio ao longo das décadas, que inclui competições precursoras como o Torneio dos Campeões de 1937, a Taça Brasil, o Robertão e o Brasileirão, que começou a ser disputado em 1971. Porém, um dado alarmante revela que 29 dessas equipes deixaram de existir.
Isso representa quase 20% do total, um número que chama a atenção e nos leva a entender as transformações do cenário esportivo no Brasil, que ocorreram ao longo das décadas, influenciadas por mudanças econômicas, sociais e estruturais. A seguir, apresentamos sete casos emblemáticos de clubes que, após suas passagens na elite do futebol brasileiro, nunca mais conseguiram retornar.
Eletrovapo (RJ)
Fundado em 1957 na cidade de Niterói, o Eletrovapo teve seu auge em 1964 ao conquistar o Campeonato Fluminense, o que lhe garantiu uma vaga na Taça Brasil de 1965, então equivalente ao atual Brasileirão. No entanto, sua participação na competição ficou marcada por um episódio inusitado. Em um confronto decisivo, a classificação foi definida em um cara ou coroa após uma sequência de empates, e o Eletrovapo acabou eliminado na tossida da moeda. Com dificuldades financeiras, o clube encerrou suas atividades em 1977.
Liga da Marinha (RJ): O Estado Dentro de Campo
Em 1937, a Liga de Sports da Marinha, composta por integrantes da Marinha do Brasil, fez sua estreia no Torneio dos Campeões, considerado um dos embriões do Campeonato Brasileiro. Os militares enfrentavam clubes civis sob condições competitivas equivalentes. Contudo, com o passar do tempo, o futebol perdeu prioridade dentro da instituição, levando à descontinuação da equipe. Esse caso simboliza um período em que instituições públicas tinham uma presença significativa no esporte nacional.
Guanabara (DF): O Clube Que Nasceu no Congresso
Originalmente conhecido como Clube Esportivo Câmara dos Deputados, o Guanabara foi fundado por servidores transferidos para Brasília. O clube representou o Distrito Federal na Taça Brasil de 1965 e chegou a conquistar o título local. Entretanto, dependendo de apoio institucional e sem uma estrutura sólida, a equipe teve uma trajetória breve e desapareceu no final da década de 1960.
Metropol (SC)
Com apoio da indústria do carvão, o Metropol foi fundado em Criciúma e destacou-se no futebol catarinense nos anos 60. Em 1962, o clube realizou uma excursão pela Europa, algo raro para times do interior, ganhando o apelido de “Real Madrid catarinense”. O Metropol participou da Taça Brasil de 1968, mas após um período, decidiu encerrar o futebol profissional, permanecendo apenas com atividades amadoras.
Rabello (DF)
O Rabello Futebol Clube, ligado à construtora Rabello S.A., que realizou obras icônicas em Brasília, foi tetracampeão brasiliense e participou da Taça Brasil de 1966. No entanto, com o término do ciclo de grandes obras e a diminuição do apoio financeiro, o clube não conseguiu se sustentar e encerrou suas atividades, mesmo com a cidade em crescimento.
Colorado (PR)
Um dos casos mais peculiares é o do Colorado, de Curitiba, que disputou cinco edições do Brasileirão entre 1978 e 1983, apresentando desempenho competitivo. O clube surgiu da fusão de três equipes tradicionais e, em 1989, passou por uma nova reorganização ao se unir ao Pinheiros e formar o Paraná Clube. O Colorado não desapareceu por irrelevância esportiva, mas sim por uma reestruturação administrativa.
J. Malucelli (PR): O Clube Que “Desligou a Luz”
Por último, o J. Malucelli, um clube-empresa que disputou a elite nacional em 2000, dentro das regras inovadoras da Copa João Havelange, acabou se transformando no Corinthians Paranaense após firmar uma parceria. Anos depois, sem crises financeiras ou intervenções externas, o proprietário decidiu encerrar as atividades profissionais do time, uma escolha puramente administrativa.
Reflexões Sobre o Futebol Brasileiro
Esses casos trazem à tona um padrão: muitos clubes foram criados com base em empresas, entidades públicas ou contextos regionais específicos. Quando esses apoios foram perdidos, a sustentabilidade esportiva também se esvaiu, refletindo as transformações profundas que o futebol brasileiro atravessou ao longo dos anos.
