Campanha Cartão Vermelho contra o Racismo em Ação

No próximo domingo (1º de fevereiro), a Supercopa Rei entre Flamengo e Corinthians, marcada para as 16h na Arena BRB Mané Garrincha, em Brasília, vai além da disputa por um troféu. O evento, que deve reunir aproximadamente 70 mil torcedores, será palco de uma significativa manifestação contra o racismo, em apoio à campanha Cartão Vermelho para o Racismo.

Antes do apito inicial, servidores da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF) irão distribuir cartões vermelhos na entrada da arena. Logo após, jogadores, torcedores, comissões técnicas e a equipe de arbitragem levantarão esses cartões simultaneamente, promovendo um minuto de protesto e conscientização contra qualquer forma de discriminação racial.

A campanha também será amplamente divulgada nos telões e na comunicação visual do estádio, reforçando a mensagem de tolerância zero ao racismo e a valorização da diversidade. Essa iniciativa transforma um dos símbolos mais emblemáticos do futebol em uma poderosa ferramenta de mobilização social.

Histórico da Campanha e Impacto Social

Iniciada pela Sejus-DF em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a campanha Cartão Vermelho para o Racismo fez sua estreia em maio de 2025, durante uma partida entre Vasco e Palmeiras, também no Mané Garrincha. Desde então, a ação tem passado por diferentes estádios do Brasil, recebendo apoio de atletas, árbitros e torcedores em competições como o Campeonato Candango, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, incluindo o Brasileiro Feminino Sub-17.

Um exemplo marcante aconteceu em Belém (PA), onde mais de 45 mil torcedores levantaram o cartão vermelho durante o clássico entre Remo e Paysandu, evidenciando a força da mobilização coletiva e ampliando o alcance da mensagem antirracista em nível nacional.

Compromisso e Futuro da Iniciativa

De acordo com a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, a proposta visa transformar o futebol em uma vitrine permanente de conscientização. “Esse acordo com a CBF firma o compromisso do futebol em abrir espaço para falarmos sobre igualdade racial. Em todas as comunicações nos estádios, a mensagem será sempre a mesma: cartão vermelho para o racismo”, afirma.

O presidente da CBF, Samir Xaud, também ressaltou a importância da campanha. “O futebol é para todos e não aceita mais esse tipo de atitude. Precisamos ser firmes contra o racismo e garantir que essa mensagem chegue a todo o país”, declarou.

Acordo Oficializa Campanha em Competições Nacionais

Recentemente, na última quinta-feira (29), o Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) publicou o extrato do Acordo de Cooperação Técnica que formaliza a campanha nas principais competições organizadas pela CBF, incluindo o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e o Brasileirão Feminino A-1.

Acordado em agosto de 2025 pelo governador Ibaneis Rocha, o documento estabelece que a campanha terá vigência até 2027, consolidando-a como uma política permanente no combate ao racismo nos estádios. A parceria integra a Política Distrital de Prevenção e Combate ao Racismo, instituída pela Lei Vinícius Júnior, prevendo ações de comunicação, mobilização de público e promoção de práticas antidiscriminatórias no futebol brasileiro.

Assim, o gesto de erguer o cartão vermelho transcende uma ação pontual e passa a fazer parte do calendário oficial do esporte, levando a mensagem de respeito, diversidade e intolerância ao racismo a milhões de torcedores em todo o Brasil.

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