Primavera e Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência se Encontram na Fiocruz Brasília
A chegada da primavera, em 21 de setembro, traz uma imagem forte de renovação e diversidade. No Brasil, essa data também é marcada pelo Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, instituído pela Lei nº 11.133/2005 como um momento dedicado à mobilização pela garantia de direitos, inclusão, acessibilidade e participação social. Na Fiocruz Brasília, esses dois significados se uniram em uma manhã dedicada a diálogos sobre a construção de territórios acessíveis e inclusivos, concretizados com o plantio simbólico de um ipê-branco.
Debates sobre Acessibilidade e Direitos Reúnem Diversos Setores
O evento “Direito ao Território, Inclusão e Acessibilidade ao Lazer e à Cultura” aconteceu no auditório da instituição, reunindo trabalhadores, pesquisadores, representantes de coletivos e convidados. O foco foi discutir temas como capacitismo, direitos das pessoas com deficiência, participação social e barreiras que ainda limitam o acesso à cidade, à cultura, ao lazer e a outros espaços da vida cotidiana. O encontro abordou não só a acessibilidade física, mas também as barreiras comunicacionais, sociais, culturais e comportamentais.
Durante a abertura, Luciana Sepúlveda, diretora-executiva da Escola de Governo Fiocruz-Brasília, compartilhou uma experiência vivida há cerca de 11 anos no Instituto Smithsonian, nos Estados Unidos. Em uma pesquisa sobre museus como promotores de saúde, ela identificou que muitas iniciativas focam na acessibilidade para garantir a participação plena de crianças e adultos na vida cultural. Essa vivência reforçou a ideia de que acessibilidade é uma estratégia que beneficia todos, tornando ambientes e informações mais compreensíveis e inclusivos para toda a população.
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Território e Desigualdade: Reflexões Essenciais
Socorro Souza, do Coletivo Pró-Equidade (Pequi/Fiocruz Brasília), ampliou o debate ao destacar a relação entre território e desigualdade. Segundo ela, o acesso a direitos é diretamente influenciado pelo local onde as pessoas vivem. Discutir território, lazer e cultura torna-se ainda mais crucial diante das dificuldades que pessoas com deficiência enfrentam para garantir direitos básicos como trabalho, educação, transporte, segurança e moradia.
Acessibilidade na Prática: Vozes que Inspiram
Nicole Domiense, jovem surda e participante do projeto Inova Fiocruz, trouxe relatos sobre como a falta de recursos acessíveis impacta atividades básicas do cotidiano, como acionar serviços de emergência ou acompanhar informações. Ela ressaltou a importância de tecnologias e canais de comunicação acessíveis para que pessoas surdas exerçam seus direitos e participem plenamente da sociedade, além de destacar a necessidade de ampliar esses recursos nos meios de comunicação e redes sociais.
Inclusão e Diversidade: Interseções que Enriquecem
O Coletivo Jatobá 60+ foi representado pelo médico sanitarista Neilton Araújo, que enfatizou a importância de discutir o envelhecimento com protagonismo das pessoas idosas e sob uma perspectiva intergeracional. “Nós todos estamos envelhecendo”, afirmou, ressaltando que enfrentar exclusões exige reconhecer necessidades específicas e criar espaços que permitam a participação ativa de diferentes gerações.
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Território, Turismo e Sustentabilidade: Um Olhar Integrado
O professor Luiz Carlos Spiller Pena, do Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (CET/UnB), contribuiu com uma análise sobre a interseção entre território, turismo, cultura, lazer, sustentabilidade e acessibilidade. A compreensão do acesso ao território e aos espaços de lazer e cultura foi apresentada como dimensão essencial da inclusão e cidadania, incorporando a participação das pessoas com deficiência na construção de territórios mais inclusivos.
Josy Veiga, advogada especialista em Direitos da Pessoa com Autismo, abordou o capacitismo estrutural e institucional, enfatizando os direitos das pessoas com deficiência, o acesso à Justiça e as barreiras sociais, culturais e comportamentais que ainda precisam ser superadas.
Compromisso Concreto com Inclusão e Diversidade
O encerramento do encontro foi marcado pelo plantio de um ipê-branco no jardim da Fiocruz Brasília, simbolizando o compromisso com a inclusão, acessibilidade, diversidade, sustentabilidade e cultura de paz. O ato também oficializou o Coletivo Ipês – Inclusão e Acessibilidade, cujo nome dialoga com a pluralidade da paisagem do Cerrado. Luciana Sepúlveda associou os ipês à diversidade, resistência e renovação, destacando que as diferentes cores da árvore representam a pluralidade das pessoas que compõem a sociedade.

