Esquema financeiro envolve ONGs e contratos milionários
Relatórios da Polícia Federal, apresentados pelo ministro Flávio Dino na decisão que autorizou a Operação Make Up, apontam que empresas contratadas pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) no contrato de Wi-Fi da prefeitura de São Paulo repassaram recursos à Academia Nacional de Cultura (ANC). Ambas as organizações são administradas por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse, e esses repasses coincidiram com o período de produção do longa.
Somente a triangulação financeira direta entre o ICB, fornecedores e a ANC resultou em cerca de R$ 6,1 milhões destinados à entidade, que já buscou verbas públicas para projetos cinematográficos. O ministro Flávio Dino destacou que as movimentações indicam um possível retorno de recursos públicos para o círculo de pessoas responsáveis pela OSC, o que pode configurar desvio e lavagem de dinheiro.
Contratos milionários e repasses suspeitos
Segundo apuração do site Intercept, o ICB firmou um contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura para instalar pontos de Wi-Fi nas áreas periféricas de São Paulo. O acordo previa pagamentos mensais pela manutenção dos pontos, além de um montante de pelo menos R$ 24 milhões destinados à manutenção retroativa de pontos ainda não instalados, configurando pagamento por serviços não realizados.
Leia também: Karina Gama e a ONG que conquistou contrato milionário para instalação de Wi-Fi em São Paulo
Leia também: Lula Lidera Segundo Turno contra Flávio Bolsonaro após Caso ‘Dark Horse’, Aponta Pesquisa Meio Ideia
Fonte: vitoriadabahia.com.br
A decisão judicial divulgada em 10 de setembro detalha quatro casos em que o dinheiro do ICB retornou para Karina da Gama via ANC. A Ultra IP, terceirizada para instalação e manutenção, recebeu R$ 8,5 milhões do ICB e repassou R$ 1,3 milhão à ANC. A Fastfuture Tecnologias Emergentes recebeu R$ 4,3 milhões em seis transferências e destinou R$ 314 mil para a ANC, enquanto outro relatório indica repasses de R$ 5,1 milhões para a Fastfuture e R$ 603 mil da empresa para a ANC.
A Complexys, que prestava serviços para o gabinete de Mario Frias, recebeu R$ 5 milhões do ICB entre outubro de 2024 e o mesmo mês de 2025, repassando R$ 2,6 milhões à ANC. Posteriormente, entre outubro e dezembro de 2025, recebeu mais R$ 3 milhões e encaminhou R$ 1,3 milhão para a entidade.
Vínculos e encerramento dos repasses
A Fastfuture pertence à esposa de André Feldman, sobrinho do ex-deputado Walter Feldman e proprietário da Complexys Apoio Administrativo, que recebeu R$ 2 milhões do ICB por uma nota cancelada. Quando a produção do filme Dark Horse foi concluída, os repasses cessaram, embora a Complexys tenha recebido outros R$ 1,8 milhão do ICB até abril deste ano.
Leia também: Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno após caso ‘Dark Horse’
Fonte: novaimperatriz.com.br
Leia também: Caso Jaques Wagner Envelhece Pesquisa Datafolha e Impacta Disputa Presidencial 2026
Fonte: parabelem.com.br
O ministro Flávio Dino também ressaltou que a Polícia Federal localizou apenas uma conta bancária da ANC, que recebeu R$ 200 mil no período, sugerindo a existência de outras contas não declaradas. Com esses recursos, a ANC efetuou pagamentos a diversas pessoas jurídicas envolvidas na cadeia de eventos e produção cultural.
Por fim, o grupo ligado a Flávio Bolsonaro afirma que a produção do filme Dark Horse foi financiada exclusivamente por recursos privados, negando envolvimento com dinheiro público.

