Investigação sobre financiamento do filme Dark Horse
Karina Ferreira da Gama, moradora da Brasilândia, Zona Norte de São Paulo, chamou atenção recentemente ao ser alvo de uma operação da Polícia Federal que apura o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL). Aos 47 anos, Karina estreou no cinema com essa produção, que está sob investigação por suspeita de desvio de emendas parlamentares aplicadas na obra.
Trajetória e conexões políticas
Antes de atuar no setor cinematográfico, Karina acumulava experiência no terceiro setor. Nos últimos anos, ela diversificou seus negócios, firmando contratos expressivos com a Prefeitura de São Paulo e estabelecendo uma holding em Aracaju (SE). Essa movimentação coincide com sua aproximação ao deputado federal Mário Frias (PL-SP), também alvo da operação da PF.
Foi o deputado que indicou a produtora Go Up Entertainment para comandar o filme sobre Bolsonaro. Em 2022, Karina prestou serviços de assessoria de imprensa para a campanha de Frias, recebendo R$ 54 mil. Eles mantêm uma relação próxima desde 2020, quando Frias era secretário de Cultura do ex-presidente. A parceria se refletiu em emendas parlamentares: R$ 2 milhões foram destinados ao Instituto Conhecer Brasil, ONG de Karina, para projetos como letramento digital para alunos do 4º e 5º anos e o programa de artes marciais “Lutando pela Vida” em São Paulo.
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
Operações policiais e contratos públicos
Em junho, a Polícia Civil de São Paulo realizou busca e apreensão na residência de Karina, na sede do Instituto Conhecer Brasil e na produtora Go Up, investigando supostas irregularidades na contratação da ONG pela gestão municipal de Ricardo Nunes (MDB). Mário Frias manifestou apoio público, afirmando que Karina é “humilde, honesta e trabalhadora” e que está sendo usada politicamente.
Além disso, em fevereiro, Karina abriu a holding Gama Participações LTDA, com sede em Aracaju (SE) e capital social de R$ 100 mil. Ela também se tornou sócia da construtora Upcon Serviços Especializados LTDA, com sede em Salvador (BA).
Contratos com a Prefeitura de São Paulo
O Instituto Conhecer Brasil firmou contratos significativos com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) para 2024, incluindo um acordo de R$ 108 milhões para instalar cinco mil pontos de Wi-Fi em vias públicas da capital paulista. A ONG também celebrou convênio de R$ 300 mil com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos para projetos de ensino profissionalizante de maquiagem para mulheres de baixa renda na Zona Leste.
A Prefeitura de São Paulo negou irregularidades nas contratações com a ONG e informou que colabora com as investigações. Karina Ferreira da Gama não respondeu aos contatos do GLOBO para comentar a operação de junho.

