Desafios da Saúde Pública no DF
A saúde pública no Distrito Federal atravessa um momento crítico. Filas intermináveis, carência de insumos, escassez de profissionais e atrasos em atendimentos essenciais tornaram-se parte do cotidiano de quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa situação revela uma crise estrutural amplificada por falhas no planejamento e na gestão do Governo do Distrito Federal (GDF).
Segundo dados oficiais e reportagens recentes, mais de 13 mil pessoas aguardam por cirurgias eletivas no DF. A demanda por consultas e exames especializados ultrapassa 150 mil solicitações, com algumas esperas chegando a dois anos. Esse atraso coloca em risco a saúde de pacientes que necessitam de atendimento em tempo hábil.
Estrutura Precarizada e Atendimento Deficiente
A precariedade também afeta diretamente a estrutura das unidades de saúde. Há falta de medicamentos, materiais básicos e até mesmo gaze, essencial para curativos em hospitais e unidades de pronto atendimento. Apesar de contar com mais de 400 unidades de saúde e aproximadamente 5 mil leitos, a rede pública do DF permanece incapaz de absorver a demanda reprimida, o que resulta em emergências sobrecarregadas, profissionais exauridos e pacientes submetidos a longas esperas.
Colapso no Hospital de Base
Um dos casos mais emblemáticos do colapso atual é o Hospital de Base do Distrito Federal, a maior unidade hospitalar pública da região Centro-Oeste, atualmente sob gestão do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF). Recentemente, o hospital entrou em “linha vermelha”, limitando seus atendimentos a casos de urgência com risco iminente de morte. Pacientes fora desse perfil enfrentam ainda mais dificuldades para acessar o serviço, em uma unidade que já foi referência nacional.
Para os trabalhadores da saúde e o SindSaúde-DF, essa situação reforça a percepção de que o Iges-DF não está conseguindo gerir um hospital de tal porte e complexidade. As crises frequentes, a sobrecarga das equipes e as limitações nos atendimentos expõem falhas no modelo de gestão, que não atende às necessidades da população e não garante condições de trabalho adequadas para os servidores. Nesse contexto, surgem questionamentos sobre a possibilidade de retornar a gestão à administração pública direta.
Insegurança Entre Servidores
A crise se agrava ainda mais em meio a problemas financeiros relacionados ao Banco de Brasília (BRB), que é responsável pelo pagamento dos salários dos servidores do DF. Operações bilionárias realizadas pelo banco estão sob investigação, levantando preocupações sobre o impacto nas finanças do DF.
Para os servidores, a situação do BRB não é apenas uma preocupação distante. O temor e a insegurança geram apreensão, especialmente para quem depende do salário para sustentar famílias. Essa sensação é acentuada por um histórico de desvalorização do funcionalismo público, que inclui a falta de reajuste salarial e o aumento do custo de vida, levando muitos a optarem por planos de saúde privados devido à desconfiança em relação à rede pública.
Além disso, a decisão do GDF de não pagar a licença-prêmio em dinheiro frustrou milhares de servidores que contavam com esse benefício após anos de trabalho. No setor da saúde, a situação é ainda mais crítica. Em dezembro, os servidores da Secretaria de Saúde do DF ficaram sem receber os TPDs, um valor vital que complementa a renda de profissionais que enfrentam jornadas exaustivas e ambientes de trabalho adversos. O atraso causou endividamento e revolta, sendo que o pagamento só foi realizado em fevereiro, após pressão do sindicato.
Expectativas Eleitorais e a Memória do Eleitor
Com a proximidade das eleições, o clima de desconfiança entre os servidores e a população se intensifica. Períodos pré-eleitorais costumam ser marcados por manobras financeiras que privilegiam interesses políticos em detrimento de áreas essenciais, como a saúde pública. A percepção é de que, enquanto faltam recursos para garantir um atendimento de qualidade e valorização dos trabalhadores, bilhões estão envolvidos em operações financeiras questionáveis.
O SindSaúde-DF alerta que a crise na saúde pública, as inseguranças enfrentadas pelos servidores e as escolhas financeiras do atual governo não serão esquecidas. Cada fila, cada atraso, cada direito retirado, cada hospital sucateado e cada profissional desvalorizado farão parte da memória do eleitor. Na hora de votar, a população do Distrito Federal considerará esses fatores ao decidir se o atual governo merece continuar ou se é hora de mudança. A saúde pública e a maneira como os recursos públicos têm sido tratados estarão em destaque nesse julgamento.
