Governadora do DF em busca de solução para o BRB
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), está aguardando uma resposta do Palácio do Planalto sobre o aval do Tesouro Nacional para dar continuidade às negociações de um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Este fundo, que reúne grandes bancos privados, é visto como uma alternativa crucial para a recuperação financeira do Banco de Brasília (BRB). Na última terça-feira (28/4), Celina enviou um ofício ao Ministério da Fazenda, além de ter solicitado uma audiência urgente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a questão. Contudo, até o fechamento desta reportagem, o Planalto não havia se pronunciado.
Em declarações ao Correio, a governadora expressou otimismo em relação ao encontro, embora ainda não tenha recebido retorno. “Ainda não tivemos resposta, mas espero que a audiência traga uma resposta positiva”, afirmou. Celina reconheceu a incerteza sobre o resultado, mas destacou que o governo do Distrito Federal está preparado para lidar com qualquer cenário. “Temos um planejamento em andamento, independentemente da decisão do Planalto”, completou.
Diálogo como prioridade na administração pública
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Em uma entrevista exclusiva ao CB.Poder, uma colaboração entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, Celina reforçou sua posição Política. “Sou uma governadora de direita, mas acredito que o diálogo é fundamental para trazer benefícios à população”, declarou. A governadora enfatizou a necessidade de agir com responsabilidade diante da crise que afeta o BRB. “Não posso me permitir entrar em disputas políticas sem sentido. Meu compromisso é com o povo do Distrito Federal”, enfatizou. Ela ainda ressaltou que a população espera uma postura responsável para resolver a situação do banco.
Questionado pelo Correio, o Planalto não forneceu informações sobre a possibilidade de um encontro entre Lula e Celina. O presidente estava no Palácio da Alvorada, onde recebeu os governadores do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, interino, e da Bahia, Jerônimo Rodrigues. Durante o dia, Lula não fez aparições públicas, acompanhando à distância a sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Desafios financeiros e políticos
A situação do BRB é complexa e, de acordo com relatos, o governo federal demonstra pouca disposição para atender ao pedido de ajuda do banco. Assessores de Lula acreditam que a crise atual é resultado de uma gestão inadequada durante o governo de Ibaneis Rocha, e que sua solução deve ser encontrada no âmbito distrital, sem a intervenção da União.
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O Governo do Distrito Federal e o BRB estimam que um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, por meio do FGC, seria suficiente para equilibrar as contas do banco. No entanto, o principal obstáculo é a nota de Capacidade de Pagamento (Capag) do DF, que atualmente está classificada como C pelo Tesouro Nacional, desde 2025. Para que o empréstimo seja aprovado, essa nota precisaria ser elevada para A ou B. Nesse cenário, Celina busca uma autorização extraordinária que dependerá da aprovação política de Lula.
O aval do Tesouro Nacional é considerado uma garantia fundamental para a liberação dos recursos. Segundo Marcos Melo, professor de finanças do Ibmec Brasília, esse mecanismo funciona de forma similar a um fiador. “A instituição financeira que empresta, neste caso o FGC, exige uma garantia do BRB e esse aval pode ser fornecido pelo Tesouro Nacional, caso seja aprovado”, explicou Melo.
O especialista adicionou que, caso o banco não cumpra com os pagamentos das parcelas, que incluem tanto a amortização quanto os juros, o FGC poderá acionar essa garantia. “Se isso ocorrer, o fundo terá o direito de buscar os valores junto ao Tesouro”, explicou. No entanto, Melo também observou que, apesar de existir um risco de impacto nas contas públicas, esse efeito tende a ser limitado. “Dado o tamanho relativamente pequeno do aval em comparação ao déficit público nacional, o impacto não deve ser significativo nas finanças públicas federais”, ressaltou.
Contexto de gestão e corrupção
Melquezedech Moura, doutor em administração e professor de finanças do Ibmec, analisou o cenário político em torno do pedido de audiência de Celina Leão com o presidente Lula e a solicitação de aval do Tesouro para o empréstimo com o FGC. Ele comentou que a recente prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, revelou que a crise no banco não é apenas atribuída a má gestão, mas também a um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que precisa ser investigado.
“Ao formalizar o pedido de aval ao Ministério da Fazenda e buscar uma audiência com Lula, Celina Leão torna clara a distinção entre a responsabilidade criminal, que recai sobre a gestão anterior, e a responsabilidade do Estado, que deve garantir a continuidade da instituição”, concluiu Melquezedech.
