O bumba-meu-boi que ecoa no Distrito Federal

Longe dos tradicionais arraiais do Maranhão, o som das matracas, das toadas e das orquestras do bumba-meu-boi ressoa a mais de mil quilômetros de distância. No Distrito Federal, um grupo formado por maranhenses preserva uma das manifestações culturais mais emblemáticas do estado: o bumba-meu-boi.

Tradição e identidade em Itapoã e Paranoá

O Boi Encanto do Itapoã leva a magia da brincadeira para as regiões do Itapoã e do Paranoá, próximas a Brasília. Fundado em 2005, o grupo é formado por moradores do Distrito Federal com raízes no Maranhão e se destaca por apresentar o sotaque de orquestra, um dos estilos mais populares da tradição.

A cada ano, os integrantes se reúnem para realizar apresentações que celebram e mantêm viva a cultura maranhense, mesmo distantes da terra natal. Entre os participantes está o estudante Yuri Gaspar, de 9 anos, que interpreta a personagem burrinha e valoriza a interação com o público.

“Gosto de ser burrinha porque sempre gostei. As pessoas vêm, fazem carinho. É legal”, compartilha Yuri.

Outra jovem integrante é Ana Sofia Almeida, de 14 anos, que se encantou pela energia das apresentações e decidiu fazer parte do grupo. “Eu via a alegria, as mulheres dançando, e sempre tive essa curiosidade. Entrei e estou bem feliz aqui”, conta.

Desafios e continuidade da cultura maranhense

Eliana Costa, natural de Cururupu, litoral do Maranhão, é a criadora e cantora do grupo. Moradora do Itapoã há mais de 20 anos, ela destaca que manter o bumba-meu-boi no Distrito Federal enfrenta dificuldades, especialmente pela falta de recursos. No entanto, o comprometimento dos brincantes tem sido fundamental para a continuidade do projeto.

“Trouxemos a cultura do Maranhão para cá e lutamos há anos para fortalecer essa tradição por meio de pequenas e grandes apresentações, circulando por escolas, comunidades e praças públicas do Itapoã e Paranoá”, afirma Eliana.

A iniciativa tem atraído também pessoas sem ligação direta com o Maranhão, como Igor Soares, nascido em Brasília, que ingressou no grupo como índio após conhecer a manifestação cultural.

“Estou aqui desde o ano passado. Não conhecia a cultura, mas já apreciava. Vejo o carinho dos maranhenses e por isso faço parte do grupo. Convido todos a conhecerem os bois de Brasília”, diz Igor.

Batismo do boi e fortalecimento da cultura local

No último sábado (13), o Boi Encanto do Itapoã realizou o tradicional batismo do boi, evento que reuniu padrinhos, madrinhas e moradores do Itapoã. A expectativa do grupo é ampliar a participação do público e consolidar ainda mais a presença do bumba-meu-boi no Distrito Federal.

Uma das madrinhas da cerimônia foi Gilza Sousa, presidente da Casa do Maranhão em Brasília. Para ela, preservar essa tradição é essencial para manter viva a identidade cultural dos maranhenses que vivem fora do estado.

“É uma honra ser madrinha. Não podemos deixar nossa tradição maranhense morrer. A colônia maranhense é a terceira maior em Brasília”, destaca Gilza.

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