Reclassificação das despesas amplia capacidade financeira do DF
O governo do Distrito Federal promoveu uma alteração na classificação de parte das despesas do orçamento com o objetivo de ampliar a capacidade de pagamento e viabilizar um empréstimo para socorrer o Banco de Brasília (BRB). A medida surge diante das dificuldades enfrentadas pelo banco, que sofreu prejuízos relacionados às fraudes envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Questionamentos sobre a mudança na Câmara Legislativa
A Consultoria Legislativa da Câmara Legislativa do Distrito Federal questiona essa mudança adotada pelo Executivo. Em agosto, o secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, defendeu a alteração na classificação das despesas, explicando que a medida é necessária para adequar os registros orçamentários e melhorar a apresentação da situação fiscal do Distrito Federal.
Com a mudança, despesas antes registradas como gastos correntes foram classificadas como investimentos. Isso reduz o volume das despesas correntes e eleva a chamada poupança corrente do Distrito Federal, um indicador que o Tesouro Nacional utiliza para avaliar a capacidade de pagamento dos governos estaduais e distrital.
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Impacto na avaliação da capacidade de pagamento e desafios para o DF
Apesar da alteração, o Tesouro Nacional manteve a classificação “C” para a capacidade de pagamento (Capag) do Distrito Federal, o que impede a União de conceder aval para novos financiamentos ao governo distrital. A poupança corrente, embora melhorada, foi um dos fatores que contribuíram para a manutenção da avaliação negativa pelo segundo ano consecutivo, que considera também a capacidade de endividamento e liquidez do ente público.
O Distrito Federal enfrenta um déficit de R$ 5,5 bilhões no orçamento do ano passado e busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para reforçar o BRB. Até o momento, o banco não recebeu o aporte necessário para cobrir o rombo gerado pelas operações envolvendo o Banco Master.
Estratégias e incertezas na reorganização financeira do BRB
Diante das dificuldades para obter o empréstimo, a administração distrital tenta usar os resultados parciais das contas para demonstrar à União e a instituições financeiras privadas sua capacidade de assumir e pagar a nova dívida. A estratégia, no entanto, enfrenta resistência técnica dentro da Câmara Legislativa, que questiona a validade da reclassificação das despesas.
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O cenário ocorre em meio à tentativa de reorganização financeira do BRB após os impactos financeiros causados pelas irregularidades relacionadas ao Banco Master, que comprometeram a saúde fiscal do banco brasiliense.

