Uma festa que transcende o tempo
Aos 85 anos, Cosete Ramos viveu uma celebração que fugiu do convencional. Em um evento dividido em dois atos, realizado no Clube Naval de Brasília, às margens do Lago Paranoá, ela reuniu familiares e amigos para lembrar sua trajetória de maneira sensível e especial. Cada detalhe da festa, desde a decoração até as músicas e os sabores, foi pensado para contar capítulos importantes da sua vida, sem recorrer a uma simples retrospectiva.
Um gesto de amor e tradição
A ideia da comemoração partiu de Hassan Gebrim, marido de Cosete e seu companheiro há cinco décadas. Ele já havia organizado a festa dos 70 anos dela e quis repetir o presente em uma data que considerava marcante. Para Cosete, o evento representa mais do que uma celebração: é um gesto de amor. A união entre a tradição árabe de Hassan, que gosta de reunir muitas pessoas, e o espírito gaúcho de Cosete, que valoriza encontros ao redor da mesa, deu a forma e o calor da festa.
O cerimonialista Tiago Correia ajudou a transformar esses desejos em realidade, com a decoração assinada pela Nativa Festas, de Robinho Lemos. A proposta era criar uma experiência que refletisse a relação da aniversariante com o Rio de Janeiro, onde viveu antes de se estabelecer em Brasília, e com a própria capital federal, paixão da sua vida.
Do verde e branco ao vermelho e dourado: dois atos para uma história
O primeiro ato aconteceu na varanda do clube, onde a decoração em verde e branco deu o tom. A Orquestra Sonho Musical recebeu os convidados com bossa nova, evocando os anos que Cosete passou no Rio de Janeiro. A gastronomia, assinada por Renata La Porta e idealizada por Hassan, ressaltou sabores mediterrâneos com uma ilha de frutos do mar, que incluía polvo, camarões, ostras, caviar, burrata e outras iguarias. O serviço contemplou ainda finger foods, ostras frescas, blinis com caviar e um carrinho de foie gras, além de 200 taças de camarão para brindar.
O momento do parabéns reuniu Cosete ao lado do marido, dos filhos Eduardo, Rui e Denise, dos netos e de amigos de diferentes fases da sua vida. Para ela, essa reunião próxima dos laços afetivos foi um instante carregado de emoção, que resumiu o espírito da festa: celebrar a vida por meio dos vínculos construídos ao longo dos anos.
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Quando muitos imaginavam que a noite já tinha alcançado seu ápice, o segundo ato começou com uma transformação do ambiente. As portas do salão se abriram para uma decoração em vermelho, dourado e luz de velas, criando uma atmosfera mais intensa e preparada para um verdadeiro baile. A leveza do fim de tarde deu lugar a um clima sofisticado, que convidava à dança e ao convívio.
Banquete inspirado na inauguração de Brasília
O jantar trouxe uma memória especial para Cosete: o banquete das celebrações da inauguração de Brasília, em 21 de abril de 1960, evento do qual participou ainda adolescente. A proposta de Tiago Correia resgatou sabores daquela época, permitindo que a aniversariante revisitasse gostos da juventude. “A mesma comida que eu comi aos 85 era a comida que eu tinha aos 16, 17 anos”, contou.
O menu incluiu releituras como moqueca de pirarucu e camarão, ossobuco ao molho Marsala e ravióli de alho-poró. O serviço fluía pelo salão com carrinhos que ofereciam pratos quentes e, mais tarde, uma seleção de 500 mini sobremesas como petit gâteau de goiabada, pavlova, tiramisù, red velvet, crème brûlée de limão-siciliano e cheesecake de maracujá. O bolo cenográfico foi criação da TB Cake, complementado por café, cappuccino e petit fours.
Na música, a banda Scalla, de Goiânia, assumiu o comando da noite, levando os convidados para a pista de dança. Hassan participou até da escolha do repertório, reforçando o caráter pessoal e afetivo da comemoração, construída com atenção a cada detalhe.
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Brasília no coração e na história de Cosete
Natural de Alegrete, no Rio Grande do Sul, Cosete chegou jovem a Brasília e integrou a primeira turma de normalistas formada na cidade. Juscelino Kubitschek foi paraninfo da turma em 1960 e deixou uma mensagem que marcou a educadora, convertendo-se em um compromisso com a educação. Ao longo da carreira, Cosete formou-se em pedagogia, trabalhou no Ministério da Educação, estudou nos Estados Unidos, concluiu mestrado e doutorado e publicou mais de 60 livros.
Apesar da trajetória acadêmica e profissional, a festa de 85 anos destacou os laços afetivos. Familiares e amigos de diferentes gerações estiveram juntos, dos mais jovens aos que se aproximam dos 90 anos, celebrando não apenas a vida, mas a rede de relações construída.
Ao final da noite, Cosete resumiu o sentimento que a festa deixou: “Gratidão é o que fica no meu coração depois dessa festa maravilhosa de celebração dos 85 anos de vida.” Em vez de presentes, ela pediu que as homenagens fossem feitas por meio de doações à Igreja Metodista de Alegrete, sua cidade natal.
Com mobiliário da Lona Branca, produção de palco e iluminação de Luigi Castagnaro, e lembranças da Aqualírica, a festa foi um encontro de histórias, afetos e memórias que conduziram a uma única celebração: a vida de Cosete Ramos, que há 66 anos chama Brasília de casa e que mantém por ela uma paixão profunda.

