Festival de Brasília sob ameaça de cancelamento
O Ministério da Cultura classificou como um “grande retrocesso para o audiovisual brasileiro” a possibilidade de que a 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema brasileiro, prevista para setembro, seja cancelada por falta de recursos. A notícia ganhou força na tarde de segunda-feira (10), quando organizadores do evento foram informados sobre a inexistência de apoio financeiro público para o festival em 2026. Diante da repercussão negativa, o governo do Distrito Federal voltou atrás e sinalizou a manutenção do evento.
Reação oficial e mobilização para garantir o festival
Em nota divulgada no fim da noite, o Ministério da Cultura destacou que o governo federal já apoia a realização do festival por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Petrobras, histórica parceira do evento. “O MinC está mobilizado para assegurar a realização desta edição e a continuidade do mais longevo festival de cinema em atividade no Brasil”, afirmou o ministério.
A pasta ressaltou ainda que o Festival de Brasília é um espaço fundamental para a liberdade de criação, formação de público, revelação de talentos e reconhecimento da produção audiovisual nacional. O governo federal lembrou que o Distrito Federal recebeu R$ 69,1 milhões para o fomento à cultura nos dois primeiros ciclos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), reforçando a importância dos recursos públicos para o setor.
Confirmação da governadora e contexto histórico do festival
Nas redes sociais, a governadora Celina Leão (PP) confirmou a realização da 59ª edição do festival entre 11 e 19 de setembro, porém não detalhou a origem dos recursos. “Já determinei que a Secretaria de Economia providencie os recursos necessários para o evento”, escreveu em postagem no X.
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Desde sua criação em 1965, o Festival de Brasília é o mais antigo do Brasil e nunca havia sofrido cancelamento por falta de verba. O evento só ficou suspenso entre 1972 e 1974, como protesto contra a ditadura militar, e manteve edições mesmo durante a pandemia de Covid-19, em formato virtual. Desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal.
Desafios financeiros e impacto no Cine Brasília
Na última semana, reportagem revelou que a organização social responsável pela produção do festival e mais de 40 profissionais estavam sem receber seus pagamentos. A Secretaria de Cultura afirmou estar em diálogo com os responsáveis para avaliar as condições financeiras necessárias à realização do evento.
Desde 2024, o Banco de Brasília (BRB) é o patrocinador master do festival, mas enfrenta a pior crise da sua história, sem divulgação de balanços há um ano devido a transações malsucedidas com o Banco Master.
Em julho, a falta de repasses afetou diretamente o Cine Brasília, sede do festival e último cinema de rua do Distrito Federal. A situação comprometeu o pagamento de funcionários e fornecedores, ameaçando o funcionamento do espaço, que integra o patrimônio arquitetônico de Oscar Niemeyer e é reconhecido como Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1987.
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Importância cultural e econômica do Festival de Brasília
O Ministério da Cultura reforça que o cancelamento do Festival de Brasília representaria um desprestígio para a cultura e o audiovisual brasileiro, especialmente em um momento em que o cinema nacional ganha reconhecimento internacional e projeta a imagem do país no exterior. O setor gera emprego, renda e oportunidades para milhares de profissionais, e o festival é peça-chave para fortalecer essa cadeia produtiva.
O Ministério manifesta solidariedade aos artistas, realizadores, técnicos e público que acompanham o festival há seis décadas, e destaca que o evento não pode ser tratado como secundário diante de sua relevância histórica e cultural.
Com a mobilização do MinC e a confirmação da governadora, o cenário aponta para a manutenção do festival, que segue como um ponto de encontro para a criatividade e a diversidade do cinema brasileiro, além de ser uma vitrine para talentos e produções que dialogam com o público do Distrito Federal e do país.

