Venda de imóveis novos acelera no Distrito Federal
O mercado imobiliário do Distrito Federal fechou o primeiro semestre de 2026 com uma venda de 2.375 imóveis novos, apresentando um aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2025. Esse levantamento foi divulgado pela Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do DF (Ademi-DF) e pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do DF (Sinduscon-DF) nesta sexta-feira (11).
Os lançamentos de imóveis novos superaram ainda mais as vendas, com 1.631 unidades colocadas no mercado, o que representa um crescimento de 108% em comparação ao semestre anterior. Esses números são parte do Panorama da Habitação, estudo realizado pelo Instituto Opinião com apoio do Sebrae-DF, e divulgados pelo Correio Braziliense.
Indicadores mostram ritmo acelerado das vendas
O Índice de Velocidade de Vendas (IVV) do semestre atingiu 6,4%. Esse índice indica a velocidade com que os imóveis são comercializados. Um IVV de 5% ao mês é considerado ideal, pois permite que as unidades sejam vendidas dentro do prazo médio de construção, que gira em torno de dois anos. O número atual revela que o estoque está sendo absorvido mais rapidamente do que a construção avança.
Nos primeiros quatro meses do ano, o IVV havia registrado 6,6%, marcando o maior volume de vendas residenciais desde o início da série histórica, em 2021.
Classe média-alta impulsiona o mercado
A expansão das vendas não ocorreu de forma uniforme entre as faixas de preço. A maior alta foi observada na faixa de R$ 600 mil a R$ 1,5 milhão, que cresceu 67% e concentrou a maior parcela das vendas. As categorias intermediárias tiveram avanços modestos, enquanto os segmentos econômico e de alto luxo apresentaram queda.
Em relação às regiões administrativas do DF, o levantamento apontou:
- Noroeste com alta de 44% nas vendas
- Samambaia registrando crescimento de 117%, mais que dobrando o volume
- Park Sul, Recanto das Emas, Santa Maria e Planaltina também apresentaram crescimento
- Ceilândia e Águas Claras tiveram retração nas vendas
O recuo em Águas Claras chama atenção por ser uma das áreas com maior concentração vertical fora do Plano Piloto. Já a expansão em Samambaia e Recanto das Emas indica uma migração da oferta para regiões tradicionalmente voltadas ao segmento econômico.
Visão das entidades do setor
Celestino Fracon Júnior, presidente da Ademi-DF, destaca que o desempenho do semestre confirma a força da demanda na capital, mesmo diante dos juros elevados. João Carlos de Siqueira Lopes, vice-presidente da Indústria Imobiliária do Sinduscon-DF, acrescenta que o mercado está aquecido, porém com consumidores mais criteriosos em relação às condições dos imóveis.
As entidades não divulgaram o preço médio do metro quadrado nem fizeram projeções para o segundo semestre.
O que os compradores precisam saber
O ritmo acelerado das vendas e o aumento nos lançamentos tendem a reduzir o poder de negociação dos compradores, especialmente na faixa de preço que mais cresce. No entanto, o número expressivo de unidades lançadas amplia a oferta para os próximos meses, o que pode gerar condições comerciais mais flexíveis em imóveis que ainda estejam disponíveis.
Quem opta por comprar na planta deve atentar-se a alguns detalhes essenciais: verificar o registro do memorial de incorporação no cartório de imóveis, confirmar o prazo previsto para entrega com a tolerância para atrasos, entender o índice de correção das parcelas até a entrega das chaves e acompanhar a taxa de evolução da obra. Esses fatores, e não apenas o valor anunciado, determinam o custo final do imóvel.

