Laboratório Central de saúde pública inova no rastreamento do HPV

O Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) está se destacando como um verdadeiro pioneiro no Brasil ao implementar o teste de DNA-HPV para o rastreamento do vírus que pode desencadear o câncer de colo do útero na rede pública de saúde. Essa iniciativa, que teve início em março, já analisou aproximadamente 500 amostras de pacientes que pertencem a diferentes regiões de saúde, incluindo Sudoeste e Oeste.

As regiões atendidas abrangem áreas como Águas Claras, Recanto das Emas, Samambaia, Taguatinga, Vicente Pires, Água Quente, Brazlândia, Ceilândia e Pôr do Sol/Sol Nascente. A expectativa é de que, até o final de junho, cerca de 3,5 mil mulheres sejam atendidas, além de servir como um projeto piloto para identificar desafios e facilitar a expansão desse programa para todo o Distrito Federal.

Fabiano Costa, gerente de Biologia Médica do Lacen-DF, destacou a principal vantagem dessa tecnologia: sua sensibilidade e precisão no diagnóstico precoce da doença. “Esse é um teste mais sensível, capaz de detectar rapidamente a presença do vírus HPV de alto risco, antes mesmo do aparecimento de lesões no colo do útero”, explicou Costa.

O teste permite a detecção de 14 genótipos do papilomavírus humano (HPV), que estão associados a um alto risco oncogênico. Entre esses, os tipos 16 e 18 são os mais preocupantes, pois estão relacionados a até 70% dos casos de câncer de útero. A coleta de amostras é realizada de forma similar ao exame de Papanicolau, na junção escamocolunar do colo do útero, utilizando espátula e escovinha, com análise posterior por PCR. A periodicidade recomendada para a realização do exame é de cinco em cinco anos.

Expansão do teste de biologia molecular no Sistema Único de Saúde

A implementação do teste de biologia molecular DNA-HPV no Sistema Único de Saúde (SUS) foi estabelecida pelo Ministério da Saúde e está sendo adotada de maneira gradual em 12 estados brasileiros. A expectativa é que, anualmente, um quinto da população feminina possa realizar o exame, com prioridade inicial para aquelas mulheres que estão em maior risco.

Nos casos em que o resultado do exame for positivo para os tipos 16 ou 18, a paciente será encaminhada para colposcopia. Se o resultado for negativo, recomenda-se que o exame seja repetido a cada cinco anos. Para os outros tipos de alto risco, a amostra é encaminhada para citologia reflexa no Núcleo de Citologia do Hospital Materno Infantil (Hmib), com o intuito de identificar precocemente quaisquer lesões cancerígenas.

As amostras são coletadas nas unidades básicas de saúde (UBSs) e posteriormente enviadas ao Lacen-DF para análise. Após a obtenção dos resultados, as equipes de atenção primária realizam um acompanhamento das pacientes, oferecendo orientações e encaminhamentos conforme a necessidade de cada caso.

Com essas iniciativas, o Lacen-DF não apenas avança na detecção precoce do câncer de colo do útero, mas também fortalece a saúde pública no Distrito Federal, contribuindo para a redução dos índices de mortalidade associados a essa doença. Um avanço significativo que deve ser celebrado e ampliado em outros estados e municípios.

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