Festival de Brasília consagra “Se eu fosse vivo… vivia” como melhor longa
A 59ª edição do Festival de Brasília do cinema brasileiro chegou ao fim neste sábado (19), celebrando o filme “Se eu fosse vivo… vivia” como o melhor longa-metragem escolhido pelo Júri Oficial. Durante nove dias, o festival atraiu cerca de 35 mil espectadores e promoveu ainda oficinas, debates sobre políticas públicas e sessões de discotecagem.
Dirigido pelo mineiro André Novais Oliveira, o longa aborda a trajetória de Jacira e Gilberto, casal que vive há cinco décadas em Contagem (MG). Jacira, interpretada pela linguista e escritora Maria da Conceição Evaristo, e Gilberto, vivido por Norberto Novais Oliveira, pai do diretor, constroem uma narrativa que se estende desde os anos 1970. Com Jacira internada, Gilberto enfrenta experiências perturbadoras que o levam a um universo desconhecido. André já havia sido premiado no festival em 2018 com o filme “Temporada”.
Prêmios e homenagens reforçam a importância cultural do cinema brasileiro
Além do troféu principal, “Se eu fosse vivo… vivia” recebeu menção honrosa para seus protagonistas, entregue a Norberto e Tainá Evaristo, sobrinha de Conceição, que interpreta Jacira jovem. Conceição Evaristo participou da cerimônia por telefone, expressando gratidão pela confiança que a levou a atuar e ressaltando o impacto emocional de interpretar uma personagem que representa a fidelidade de uma família negra. Ela destacou que essa experiência certamente influenciará sua literatura.
O filme também foi agraciado com o Prêmio Like, que oferece R$ 50 mil em apoio de mídia. No campo técnico, “Pequenas tragédias”, dirigido por Daniel Nolasco (GO), brilhou ao conquistar cinco Candangos, incluindo melhor direção, montagem, trilha sonora, ator para Guilherme Théo e atriz coadjuvante para Aivan. O longa recebeu ainda o Prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).
Região Centro-Oeste e diversidade ganham destaque na produção audiovisual
Daniel Nolasco revisita em “Pequenas tragédias” sua trajetória pessoal desde a mudança para o Rio de Janeiro em 2011 até o retorno à sua cidade natal, Catalão (GO), onde percebe a ausência dos amigos LGBTQIAN+ da juventude, vítima do tempo e das transformações sociais. Em seu discurso de premiação, Nolasco enfatizou a importância das políticas públicas para descentralizar a produção audiovisual, destacando o direito de produtores de Goiás e do Centro-Oeste contarem suas próprias histórias.
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Outro destaque foi “Privadas de suas vidas”, co-dirigido por Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner, nascido em Brasília e radicado em Joinville (SC). O filme, classificado no gênero gore, ganhou prêmios de direção de arte e atuação feminina, com Martha Nowill e as atrizes coadjuvantes Olivia Torres e Aivan.
Documentário e animação ganham espaço e reconhecimento
O documentário “Tudo é tempo”, do carioca Marcos Guttmann, conquistou o Júri Popular e o Prêmio Especial do Júri, acompanhando quatro eleitores do Rio de Janeiro entre 2002 e 2022, registrando suas transformações políticas e afetivas. O filme ainda recebeu o Troféu Saruê do jornal Correio Braziliense e o prêmio de R$ 30 mil da Petrobras.
Na animação, “Ana, en passant”, de Fernanda Salgado (MG), ganhou o Prêmio Zózimo Bulbul como melhor longa-metragem. A obra, possivelmente o primeiro longa de animação dirigido por uma mulher negra no Brasil, narra a jornada de uma jovem negra francesa que viaja de Paris a Belo Horizonte para reconstruir histórias familiares, com uma trilha sonora do Metá Metá e vozes de artistas renomados.
Curta-metragens e Mostra Brasília evidenciam diversidade e talento
Entre os curtas, “Cana”, de Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro, ganhou destaque com o prêmio de melhor curta pelo Júri Oficial e outros troféus, incluindo melhor ator para Gerin Black. “Fundura”, de Catapreta, e “Gastronomia do olho”, de Nicolau (DF), também foram reconhecidos em diversas categorias técnicas.
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O curta “Tiró e a onça”, de Wera Poty, sobre a história do ancião Mbya Guarani e a aldeia Tekoa Mirim em Praia Grande (SP), recebeu o prêmio de Temática Afirmativa do Conselho Distrital de Políticas de Igualdade Racial (Codipir).
Na Mostra Brasília, que distribuiu R$ 298 mil em prêmios, o drama “Onde moram os irmãos”, de Marisa Mendonça, conquistou o Júri Oficial e Popular como melhor longa. O curta “Dora”, de Murilo Abreu, foi laureado como melhor curta e por Micheli Santini como melhor atriz. O Júri Popular escolheu “Hacker Leonilia”, curta futurista sobre uma hacker idosa, como o favorito.
Crítica e inovação na Mostra Caleidoscópio
A Mostra Caleidoscópio, dedicada a obras autorais, premiou “Os fantasmas gentis”, de Caetano Gotardo, como melhor filme pelo Júri Internacional. O Júri Jovem da Universidade de Brasília destacou “Mulheres do bando”, de Thamires Vieira, que registra memórias de mulheres do Bando de Teatro Olodum em Salvador.
Premiações completas consolidam o panorama do cinema nacional
O Festival distribuiu prêmios em diversas categorias, entre elas o Troféu Candango para curtas e longas-metragens, Mostra Brasília e Mostra Caleidoscópio, valorizando talentos de diferentes regiões, como Salgado (MG), Nicolau (DF), Grande (SP), Maia (CE) e Joinville (SC). A diversidade temática e regional reforça o fortalecimento da produção audiovisual em todo o Brasil.

