Raio em Ato Bolsonarista Causa Recorde de Feridos
Um fenômeno climático sem precedentes atingiu a passeata liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em Brasília, no último domingo. Segundo informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o raio que caiu no local impactou o maior número de pessoas já registrado no Brasil. Durante o horário da manifestação, foram contabilizadas pelo menos 64 descargas elétricas na região do Distrito Federal.
O Corpo de Bombeiros do DF reportou que 89 indivíduos necessitaram de atendimento nas redondezas da Praça do Cruzeiro, ponto central do ato. Do total de feridos, muitas pessoas foram encaminhadas a hospitais da área. Dentre elas, onze requereram cuidados médicos mais intensivos, conforme a avaliação das autoridades.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que a maioria dos manifestantes já recebeu alta. Do total de atendimentos, 14 pessoas foram levadas ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), sendo que três permanecem internadas, mas com estado de saúde estável. Um dos pacientes foi transferido para o Hospital Santa Marta, enquanto outro foi liberado a pedido para atendimento na rede privada.
O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) acrescentou que o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) recebeu 27 vítimas da descarga elétrica, todos já liberados.
“Reiteramos que todas as informações necessárias estão sendo repassadas aos familiares, conforme os protocolos estabelecidos. Os hospitais da rede continuam preparados para atender qualquer eventualidade. Até o momento, não houve registro de óbitos”, informou a SES-DF em comunicado.
Nikolas Ferreira, que liderou o protesto com início em Paracatu (MG) e encerramento em Brasília, organizou a manifestação em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros delitos, e em defesa dos extremistas envolvidos nos atos do dia 8 de janeiro.
Apesar do elevado número de feridos devido à queda do raio, a manifestação prosseguiu. Após o evento, Nikolas visitou o Hospital de Base e descreveu o ocorrido como um “incidente natural”. “Fiz questão de vir aqui pessoalmente, após percorrer 255 km. Contudo, isso foi um incidente natural, não resultou de nossa irresponsabilidade ou desorganização”, afirmou durante uma coletiva de imprensa.
Em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, o deputado comentou sobre o incidente e revelou que, ao tomar conhecimento do que havia ocorrido, dirigiu-se imediatamente ao hospital para visitar os feridos. Relatou que 27 pessoas foram atendidas e que apenas duas delas continuavam sob observação, sem apresentar quadros graves. Ele se referiu ao evento como um “livramento”, destacando que, surpreendentemente, ninguém morreu. “Foi um milagre que não tivéssemos fatalidades, considerando a força do raio que atingiu o local”, acrescentou.
Nikolas também comentou como o episódio foi politicamente explorado, afirmando: “Criaram uma narrativa em cima de um fenômeno natural, enquanto ignoram problemas críticos como o déficit do INSS e estatais em crise sob a atual administração”. O deputado reafirmou que o foco da mobilização não era eleitoral, mas sim engajar a população diante do atual cenário político.
Ele ainda fez questão de ressaltar os objetivos da manifestação, que incluíam a liberdade dos detidos no dia 8 de janeiro, através da derrubada do veto da dosimetria, o que beneficiaria várias famílias, e a pressão pela instalação de comissões parlamentares de inquérito para investigar supostos escândalos relacionados ao Banco Master e à continuidade das investigações na CPMI do INSS. “É essencial que as pessoas se conscientizem sobre como cuidam de suas famílias”, enfatizou.
O Partido Liberal (PL) emitiu uma nota expressando solidariedade aos feridos, pedindo a Deus pela rápida recuperação de todos. “Agradecemos a todos que estavam presentes, participando de um ato pacífico em prol do Brasil, assim como aos bombeiros e profissionais de saúde envolvidos na emergência”, destacou o partido.
A deputada Bia Kicis (PL-DF) afirmou ter mantido contatos com oficiais do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Segurança Pública, sendo informada de que não havia grandes riscos durante a manifestação, o que não justificava o cancelamento do evento. “Estava presente com um coronel do Corpo de Bombeiros, que me garantiu que não era necessário encerrá-la. A chuva estava diminuindo e o risco havia passado. Ele só solicitou que as pessoas se afastassem das árvores e desligassem os carros de som”, declarou Kicis em suas redes sociais. Até o fechamento desta reportagem, o Corpo de Bombeiros e a Secretaria de Segurança Pública do DF não se pronunciaram sobre o ocorrido.
