Entenda como os ajustes na taxa Selic podem influenciar a economia brasileira

A inflação no Brasil registrou um aumento de 0,42% em janeiro, superando ligeiramente as expectativas do mercado, que projetava um crescimento entre 0,32% e 0,33%. De acordo com os dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 4,44%, um pouco acima dos 4,26% observados até dezembro. Essa análise foi apresentada por Rita Mundim durante o programa CNN Money.

Os principais responsáveis por essa elevação foram os combustíveis e os custos de transporte, que tiveram um aumento médio acima de 2%. A especialista ressaltou que “a gasolina foi o principal item responsável pelo aumento da inflação no grupo de transportes”. Além disso, houve uma aceleração nos serviços, com destaque para os aumentos nas tarifas de telefonia celular e nas assinaturas de serviços de streaming.

Inflação e a Política Monetária Brasileira

Embora a alta da inflação tenha ultrapassado as previsões do mercado, o número ficou abaixo do que o Banco Central havia projetado, que esperava um índice em torno de 0,41%. A análise dos núcleos inflacionários, em especial o de serviços — o mais monitorado pela entidade — indica uma desaceleração, embora esta não tenha ocorrido na medida desejada pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Rita Mundim comentou sobre a situação, afirmando: “Encontraram a taxa de juros que consegue ancorar e fazer com que a inflação desacelere? Sim, mas agora é uma questão de calibragem”. Ela destacou que um erro na dosagem dessa taxa poderia resultar na necessidade de aumentar os juros no futuro.

Expectativas para a Reunião do Copom em Março

Em relação à próxima reunião do Copom, marcada para março, o mercado se encontra dividido entre uma possível redução de 0,25 ou 0,50 pontos percentuais na taxa Selic. Mundim, no entanto, defendeu uma abordagem mais conservadora: “Eu faria o corte, mas na medida de 0,25. Essa seria a calibração mais responsável, especialmente em um ano eleitoral, com um aumento considerável de circulação de dinheiro na economia”.

Fatores que Influenciam a Inflação no Futuro

A especialista também alertou para alguns elementos que ainda não foram refletidos na inflação de janeiro, mas que deverão aparecer nos dados de fevereiro. Entre eles, o impacto do aumento do salário mínimo e a isenção do imposto de renda para quem recebe até dois salários mínimos. Em contrapartida, a redução no preço da gasolina, anunciada pela Petrobras, deverá ter um efeito positivo nos índices futuros.

Outro fator crucial que afeta a inflação é o comportamento do dólar. Mundim lembrou que a moeda americana tem mostrado uma tendência de queda, embora em uma intensidade menor do que os 10% observados nos últimos 12 meses. Essa realidade ajudou a conter os preços dos alimentos no segundo semestre do ano anterior.

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