Banco de Brasília Apresenta Medidas de Recapitalização
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, protocolou ontem junto ao Banco Central (BC) um novo Plano de Capital. Este documento foi elaborado após a análise das operações envolvendo o Banco Master, que está sob investigação por supostas irregularidades que podem envolver bilhões de reais relacionados a empréstimos consignados e outras transações financeiras.
De acordo com informações do BRB, o Plano de Capital apresentado ao BC contém um conjunto de ações preventivas para a recomposição de capital, que serão implementadas durante os próximos 180 dias, caso se confirme a necessidade de um aporte financeiro. O banco deixou claro que os valores a serem utilizados só poderão ser determinados após a finalização das investigações atuais. A entrega do documento foi feita ao diretor de Regulação do BC, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, e ao secretário-executivo, Rogério Antônio Lucca.
Em conversa com o Correio, Nelson de Souza declarou que a reunião foi “muito boa e pragmática”. Ele revelou que o plano contempla alternativas como empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e negociações com consórcios de bancos. “Se for necessário injetar capital, o controlador do banco, que é o Governo do Distrito Federal, poderá contratar um empréstimo”, afirmou, destacando que o plano é uma forma de provisão para garantir a estabilidade do banco.
O presidente do BRB explicou que a diretoria fez três apresentações: uma sobre o plano de atividades, outra sobre o plano de capital e uma terceira com “propostas firmes” de três bancos nacionais e um internacional interessados nos ativos do banco. Além das opções de financiamento com o FGC e bancos consorciados, o plano inclui a estruturação de Fundos de Investimentos Imobiliários (FII) que utilizariam ativos imobiliários do GDF, além da possibilidade de venda de carteiras do Banco Master. Todas essas ações, no entanto, dependem da aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Fontes que participaram da reunião no Banco Central comentaram que a apresentação do Plano de Capital foi recebida de forma positiva tanto pela autoridade monetária quanto por representantes do mercado financeiro. Esses relatos indicam uma expectativa otimista entre os principais operadores do setor de que a nova gestão do BRB conseguiu interromper a perda de credibilidade enfrentada pela instituição, reposicionando-a em um caminho de recuperação.
Além disso, fontes próximas ao processo afirmam que o Banco Central expressou confiança no cumprimento das metas estabelecidas e na estratégia adotada pela nova diretoria. Isso sugere que o BRB está operando dentro de padrões mais sólidos do ponto de vista prudencial. Algumas instituições financeiras já demonstraram interesse em examinar os ativos adquiridos do Banco Master e estão dispostas a fazer ofertas concretas de compra.
Outro aspecto relevante do plano é a revisão ampla de contratos, a contenção de despesas administrativas e um controle rigoroso sobre patrocínios e publicidade, iniciados a partir deste ano. A orientação interna, conforme relatado por interlocutores, é priorizar investimentos que tenham um vínculo direto com Brasília e o Distrito Federal. Isso inclui manter apenas os patrocínios que estejam diretamente ligados à região e que sejam considerados estratégicos para a imagem institucional do banco, como os patrocínios a atletas e times locais.
A exigência de apresentar um plano de capital deriva das operações realizadas entre 2024 e 2025, período em que o BRB transferiu cerca de R$ 16,7 bilhões ao Banco Master. Desse total, aproximadamente R$ 12 bilhões foram destinados à compra de carteiras de crédito de qualidade questionável e sem garantias financeiras adequadas.
As investigações do Banco Central revelaram que esses ativos haviam sido adquiridos anteriormente pelo Banco Master de outra instituição por um valor inferior à metade do montante pago posteriormente pelo BRB. Além disso, constatou-se que a compra original das carteiras não foi quitada integralmente, apesar de o Banco Master ter recebido os recursos à vista na revenda ao BRB. Essas inconsistências contribuíram para a deterioração do balanço patrimonial do banco público e motivaram uma atuação mais incisiva do regulador. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro, após a constatação de uma grave crise de liquidez e incapacidade de cumprir com seus compromissos financeiros.
Antes da entrega do plano ao Banco Central, Nelson Antônio de Souza afirmou ao Correio que o documento possui caráter preventivo e visa proporcionar previsibilidade ao mercado. “É um plano de provisão que reforça a solidez do banco no mercado. No entanto, se conseguirmos vender os ativos adquiridos do Banco Master, talvez não precisemos de um aporte financeiro”, explicou. Ele também mencionou que já existem negociações em curso para a venda dos ativos. “Temos algumas propostas em análise”, assegurou, sublinhando que a mobilização da atual gestão tem mostrado resultados positivos para o banco.
As informações obtidas durante a apresentação do Plano de Capital no Banco Central demonstram um reconhecimento crescente da nova gestão do BRB, reforçando a percepção de que a instituição está novamente em um caminho de recuperação. Os esforços realizados, alinhados a medidas de austeridade e revisão de gastos, têm contribuído para a retomada gradativa da confiança por parte do mercado financeiro. O GDF, que detém 71,92% das ações do BRB, destaca que o Distrito Federal possui um patrimônio imobiliário avaliado em mais de R$ 200 bilhões, o que poderia fornecer suporte em caso de necessidade de operações financeiras futuras.
