Estratégias de Capitalização e Alternativas em Debate

O Banco de Brasília (BRB) levará ao Banco Central, nesta sexta-feira (6), um plano de capitalização destinado a recuperar perdas geradas por suas operações com o Banco Master. Caso a proposta receba a aprovação da autoridade monetária, o BRB deverá implementar as medidas em um prazo que pode chegar a até 180 dias.

Para atender às exigências de capital, o BRB está preparando uma proposta que inclui mais de uma alternativa. Nos bastidores, pelo menos cinco opções têm sido discutidas entre os executivos do banco. A principal delas envolve a solicitação de um empréstimo emergencial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), utilizando ativos oferecidos como garantia pelo governo do Distrito Federal, que controla a instituição. Esta medida também deverá passar pela aprovação da Câmara Legislativa do DF.

Outra alternativa em análise é a criação de um fundo imobiliário composto por imóveis do governo do DF que seriam transferidos para o BRB. Além disso, o banco está considerando o repasse de ações de estatais, como a Companhia Energética de Brasília (CEB) e a Ipes, responsável pela iluminação pública.

Na última semana, entidades representativas da indústria da construção civil e do mercado imobiliário do DF expressaram apoio ao BRB. De acordo com essas associações, o banco detém 62,8% de participação no mercado e é o principal aliado nas políticas habitacionais da região.

Informações extraoficiais sugerem que a proposta de criar um fundo imobiliário ganhou força recentemente, com o objetivo de reunir ativos de maior valor agregado. Entre as opções, está a inclusão do Centrad — um prédio que permanece fechado há 12 anos e que foi construído para abrigar a sede do governo local — além de grandes áreas, ao invés de lotes menores espalhados por diferentes regiões administrativas.

Possibilidades de Apoio e Desafios à Capitalização

Outras alternativas para compensar as perdas do BRB incluem um repasse direto do Tesouro do Distrito Federal, além de um empréstimo proveniente de um consórcio de bancos. Deputados distritais que integram a base do governador Ibaneis Rocha (MDB) reconhecem a complexidade da situação, mas destacam que o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, tem demonstrado otimismo no processo. Recentemente, ele esteve em São Paulo buscando negociar ativos adquiridos do Banco Master.

Reservadamente, parlamentares mencionam que a lista de estatais disponíveis para negociação é limitada. Em 2020, a parte mais rentável da CEB foi privatizada, tornando-se a Neoenergia. Por outro lado, a Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do DF) não possui ações disponíveis na Bolsa de Valores, o que pode dificultar a captação de recursos.

Em uma entrevista à Folha, a primeira desde que assumiu a presidência do BRB, Nelson enfatizou que o banco estatal é considerado um ícone pela população de Brasília e garantiu que o governo do DF tomará as medidas necessárias para a capitalização e recuperação das perdas. “O BRB não vai quebrar, não vai ter intervenção, não vai ter liquidação”, afirmou.

O secretário de Economia do DF, Daniel Izaías de Carvalho, também destacou a função social do BRB, afirmando que o Governo do Distrito Federal está disposto a apoiar a instituição caso seja necessário. “O Distrito Federal possui ativos suficientes para enfrentar uma necessidade de aporte de capital”, disse Carvalho. “O governo tem condições de se organizar para socorrer o banco em um momento crítico, se necessário.”\

Desde a gestão de Paulo Henrique Costa, o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos do Banco Master, o que levantou sérias preocupações. Além disso, a instituição também passou a controlar fundos que estão sob a mira das autoridades financeiras. Com a situação em constante evolução, as próximas semanas serão cruciais para a definição do futuro financeiro do BRB e suas operações.

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