Banco de Brasília busca reforçar seu balanço
O Banco de Brasília (BRB) enviará ao Banco Central (BC) nesta sexta-feira um plano de medidas com o objetivo de recompor, ao menos, R$ 5 bilhões em seu balanço financeiro. A iniciativa surge após a instituição pública, controlada pelo governo do Distrito Federal, adquirir carteiras de crédito do Master, o que resultou na devolução de R$ 10 bilhões em ativos em resposta a alertas emitidos pelo BC.
O documento que será apresentado ao regulador financeiro dará conta de cinco alternativas que podem ser adotadas, embora não revele o montante específico a ser recuperado. A nova administração do BRB, sob a liderança de Nelson de Souza, planeja vender toda a carteira adquirida do Master, que totaliza R$ 21,9 bilhões, com a intenção de minimizar a necessidade de um aporte significativo para fortalecer o capital da instituição. Souza encontra-se em negociações com o mercado para se desfazer desses ativos.
Alternativas para reforço financeiro
As medidas destacadas no plano devem partir do controlador, que é o governo do Distrito Federal. Entre as opções apresentadas, estão:
- Repasse direto do Tesouro do Distrito Federal;
- Financiamento através do Fundo Garantidor de Créditos (FGC);
- Empréstimo de um consórcio de bancos;
- Transferência de ações de empresas estatais;
- Criação de um fundo imobiliário utilizando ativos do governo local como garantia.
A direção do banco terá até 31 de março para formalizar o balanço de 2025, e neste prazo, será necessário estabelecer o valor exato a ser provisionado.
Conforme reportado por O Globo, a necessidade de provisionamento do BRB está intimamente ligada às operações de venda que a instituição estatal e uma empresa contratada irão realizar. O rendimento dessa empresa será condicionado a uma “taxa de sucesso”, o que implica que os resultados financeiros do banco dependerão diretamente do êxito nessa venda de ativos.
Esse processo de desinvestimento começou no final do mês passado, quando o Master transferiu ao BRB uma variedade de carteiras de crédito, que incluem direitos sobre empréstimos. Na análise das carteiras transferidas, o BC identificou indícios de inconsistências e fraudes que somam cerca de R$ 12,2 bilhões. Apesar das alegações, tanto o BRB quanto o Master negam qualquer irregularidade. O Master ainda se comprometeu a substituir as carteiras problemáticas por outros ativos, que agora estão sendo colocados à venda.
