CPI na Câmara do DF mira Governador após Novas Revelações sobre Contratos

No dia 10 de outubro, o Partido Liberal (PL) anunciou seu rompimento com o governador Ibaneis Rocha (MDB) e, de forma contundente, propôs a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O foco da investigação será a fraude relacionada ao Banco Master, que envolve diretamente o Banco de Brasília (BRB). O emedebista, que no ano passado apoiou Jair Bolsonaro, pode encontrar dificuldades para manter seu espaço na chapa bolsonarista nas próximas eleições.

A pressão para a formação da CPI se intensificou após a divulgação de um contrato entre o escritório de advocacia de Ibaneis Rocha e um fundo vinculado à Reag Investimentos, empresa sob investigação no âmbito das fraudes do Banco Master. Com isso, o governador se tornou o principal alvo da proposta de investigação no Legislativo do DF.

A decisão de romper relações foi articulada pela deputada Bia Kicis, presidente do PL no Distrito Federal, juntamente com outros deputados, incluindo Alberto Fraga, Joaquim Roriz, Thiago Manzoni e Roosevelt Vilela. “Não dá mais para esperar. Quando surgem indícios graves de desvio de recursos, temos a obrigação de agir. A CPI é um instrumento de fiscalização, e esta se tornou inevitável”, declarou Kicis.

Esse rompimento aproxima o PL do anúncio de sua chapa majoritária para as eleições deste ano. O partido planeja apoiar a atual vice-governadora, Celina Leão (PP), na corrida pelo governo do Distrito Federal, enquanto Bia Kicis e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro devem concorrer ao Senado.

O PL já considerava afastar Ibaneis na eleição. A crise gerada pela tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB fornece argumentos para a ala bolsonarista que não deseja abrir espaço para o atual governador, que também avaliava a possibilidade de se candidatar ao Senado.

A tensão entre o bolsonarismo e Ibaneis aumentou na última semana, quando a Câmara Legislativa aprovou uma autorização para que o GDF realizasse um aporte no BRB, visando cobrir prejuízos relacionados às operações com o Banco Master. Atualmente, a base de apoio de Ibaneis na Câmara é formada por 17 dos 24 deputados distritais, mas três parlamentares que eram governistas votaram contra o projeto: Thiago Manzoni, Rogério Morro da Cruz (PRD) e João Cardoso (Avante).

Manzoni, agora à frente da articulação pela CPI, ressaltou que já esteve ao lado do governo em outras pautas, mas, em um gesto de descolamento da base, rememorou um episódio em que a Câmara do DF havia dado aval ao BRB para a aquisição do Banco Master em agosto de 2025 – operação que foi posteriormente reprovada pelo Banco Central. “De novo o presidente do BRB vem aqui sem mostrar nem um documento, não sou obrigado a acreditar. Se tivesse certeza de que o que fosse votado salvaria o BRB, eu votaria [a favor]”, criticou o parlamentar.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Manzoni, emitiu um parecer pela inadmissibilidade da proposta, alegando que não atende aos requisitos constitucionais ou legais necessários. No entanto, seu relatório foi rejeitado pelos demais deputados distritais.

Por outro lado, parlamentares de oposição estão pressionando o Supremo Tribunal Federal (STF) a investigar o contrato do escritório de Ibaneis com a Reag. O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) solicitou ao ministro André Mendonça, relator do caso na corte, que inicie uma investigação sobre os vínculos comerciais do governador com a Reag ou outros fundos associados ao Banco Master. Felix argumenta que um documento denominado “Termo de Informação de Cessão” sugere uma relação econômica entre o escritório de Ibaneis e o FIDC Reag Legal Claims, ressaltando que a operação é de maio de 2024, próxima das transações financeiras entre o Banco Master e o BRB.

“Infere-se, assim, que o escritório do governador pode ter recebido recursos provenientes dos grupos privados interessados nas operações BRB-Master, que foram publicamente defendidas pelo governador e resultaram em prejuízos bilionários”, concluiu o deputado.

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