Auditoria Levanta Suspeitas sobre Antigos Gestores do BRB
Uma auditoria instaurada no Banco de Brasília (BRB) está examinando a relação entre antigos dirigentes da instituição e a operação envolvendo o Banco Master. O foco das investigações recai sobre ex-gestores, como o ex-presidente Paulo Henrique Costa. Fontes próximas ao banco indicam que a participação oculta de Daniel Vorcaro, proprietário do Master, e seus parceiros, pode ter interferido nas decisões do BRB.
A partir de 2024, o BRB implementou uma série de ofertas de ações que arrecadaram aproximadamente R$ 1 bilhão. Durante esse período, Vorcaro, junto a Maurício Quadrado e João Carlos Mansur, adquiriu ações do banco de forma dissimulada, utilizando fundos de investimento. Essa situação gerou desconfiança entre os investigadores, que especulam que a expansão do capital do BRB pode ter sido planejada para facilitar negócios com o Banco Master.
Investigação da Polícia Federal Aprofunda-se em Gestão Suspeita
O material coletado durante a auditoria embasou um inquérito da Polícia Federal, que investiga a possibilidade de que a administração anterior do BRB tinha conhecimento sobre a identidade oculta dos acionistas dos fundos de investimento. A investigação está apurando a prática de gestão fraudulenta e temerária, um crime que pode ter sérias consequências legais.
Se a aquisição do Banco Master tivesse recebido a aprovação do Banco Central, a estrutura acionária via fundos poderia ter possibilitado que Vorcaro exercitasse influência no BRB sob uma fachada. Contudo, essa transação foi rejeitada pela autoridade monetária em setembro do ano passado, acendendo ainda mais as luzes de alerta sobre a operação.
Auditoria Revela Conexões Suspeitas em Aumentos de Capital
A auditoria conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados, com apoio técnico da Kroll, identificou que a entrada de novos fundos na estrutura acionária do BRB coincidiu com transações de compra de carteiras fraudulentas do Master. Das duas rodadas de aumento de capital em 2024, a primeira teve um valor de R$ 250 milhões, enquanto a segunda arrecadou R$ 750 milhões. Essas operações chamaram a atenção dos auditores por sua proximidade temporal com as investigações de fraude no setor financeiro.
Na primeira rodada, o fundo Borneo, gerenciado pela Reag, adquiriu 44% das ações disponíveis. Já na segunda, em dezembro, o fundo Deneb, associado ao Banco Master, também fez sua compra. Além dos dois, fundos como Verbier e Delta, que têm ligação com o Master, também estavam presentes nas transações.
Teia de Movimentações Financeiras Está Sob a Lupa da PF
A Polícia Federal está atenta às complexas movimentações financeiras que possibilitaram a compra de ações do BRB pelo Banco Master. Os investigadores buscam entender a razão pela qual Vorcaro optou por uma estrutura tão complicada, ao invés de realizar a compra direta das ações. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, não se manifestou sobre as acusações. Contudo, uma fonte próxima a ele defende que ele não tinha conhecimento sobre a estrutura acionária até a homologação do processo pelo Banco Central, que ocorreu em abril de 2025.
A auditoria também encontrou sobreposições de nomes e fundos que participaram das compras das ações do BRB, sugerindo ligações com o esquema de fraude que envolve a aquisição de carteiras de crédito na ordem de R$ 12,2 bilhões. O BRB emitiu um comunicado confirmando que a primeira fase da auditoria revelou “achados relevantes”.
Conclusão e Perspectivas Futuras
O relatório da auditoria, iniciado em dezembro, continua em fase de análise. A prioridade agora é investigar as transações de compra e troca das carteiras adquiridas do conglomerado de Vorcaro, com expectativas de que os resultados finais sejam apresentados até abril. Na última atualização do formulário de referência ao mercado, Mansur foi identificado como um dos principais acionistas do BRB. Atualmente, ele detém 4,5% do capital do banco.
As reações às revelações são diversas. A defesa de Vorcaro defende que sua participação no BRB foi realizada dentro das normas estabelecidas pelo mercado e com aprovação do Banco Central. Já Quadrado, conforme sua assessoria, alegou que sua participação resultou da compra de recibos de subscrição anteriores à aquisição, não impactando o capital do BRB.
