Reavaliação dos Patrocínios do BRB

BRASÍLIA — O Banco de Brasília (BRB) anunciou uma significativa redução de 60% em seu orçamento destinado a patrocínios para o ano de 2026, conforme um novo plano traçado pela diretoria que assumiu após a crise enfrentada pela instituição vinculada ao Banco Master. Essa decisão foi oficializada no Diário Oficial do Distrito Federal.

De acordo com o banco, “todos os contratos vigentes estão sendo reavaliados de forma criteriosa para garantir aderência às prioridades institucionais e conformidade com normas e boas práticas”. Assim, a nova diretoria decidiu cancelar diversos contratos que, segundo ela, estavam desalinhados com as políticas estratégicas do banco.

Um dos contratos que foi suspenso foi o patrocínio à equipe sul-americana Mubadala Brazil SailGP Team, que envolvia um investimento de R$ 26 milhões para as temporadas de 2025 a 2027 na liga SailGP. Além disso, o patrocínio com o Flamengo, que atualmente custa R$ 32 milhões anuais, também está em revisão.

No entanto, o BRB estuda a possibilidade de criar uma empresa separada em parceria com o Flamengo, com o objetivo de alavancar o cartão digital Nação BRB Fla. Esta nova empresa funcionaria independentemente do banco, contratando executivos para desenvolver um plano de negócios autossustentável.

A iniciativa de reestruturação ocorre em um momento em que o banco estatal busca recompor seu capital e restaurar sua liquidez, na tentativa de limpar sua imagem após negociações problemáticas com o banqueiro Daniel Vorcaro. Estima-se que a crise resultou em um rombo que o Banco Central calcula em cerca de R$ 5 bilhões.

Em entrevista ao Estadão, o novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, destacou que a instituição dará “um passo atrás” e voltará a ser um banco regional de desenvolvimento após a crise com o Master. Souza também afirmou que não haverá privatização ou federalização do BRB durante sua gestão.

Na semana passada, o BRB apresentou um plano de capitalização ao Banco Central, que inclui um aporte financeiro do governo do Distrito Federal. Esse capital pode ser levantado através de um fundo imobiliário que utilize imóveis públicos, empréstimos do Fundo Garantir de Crédito (FGC) ou por meio de um consórcio de bancos e recursos diretos do orçamento do DF.

Para enfrentar a crise de liquidez resultante do episódio Master, o BRB vendeu R$ 5 bilhões em carteiras próprias e tenta agora reverter a situação revendendo ativos adquiridos de Daniel Vorcaro para instituições financeiras privadas. O banco planeja revelar os detalhes de suas finanças e suas estratégias de recuperação até 31 de março, quando será divulgado o balanço financeiro de 2025.

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