Ação do Ministério visa garantir segurança sanitária na região fronteiriça
Após o ataque ocorrido na Venezuela no último sábado (3 de janeiro), o Ministério da Saúde mobilizou uma equipe da Força Nacional do SUS (FNSUS) para realizar uma avaliação detalhada das condições de saúde em Roraima, estado que faz divisa com o país vizinho. O principal objetivo dessa ação é verificar as estruturas de saúde, a disponibilidade de profissionais, vacinas e insumos essenciais, além de preparar um plano de contingência para o Sistema Único de Saúde (SUS) em resposta ao potencial aumento da demanda por assistência médica na região devido à crise internacional. Apesar da tensão, o fluxo migratório na fronteira permanece estável até o momento.
“Nossa equipe, composta por técnicos do Ministério da Saúde e membros da Força Nacional, que têm ampla experiência em situações de emergência, já está na área avaliando as estruturas hospitalares e considerando a possibilidade de ampliação quando necessário. Se necessário, iremos montar hospitais de campanha ou expandir as instalações já existentes, com o intuito de mitigar os impactos no sistema de saúde pública brasileiro”, declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Desde o início das operações militares ao redor da Venezuela, o Ministério da Saúde tem mobilizado diversas equipes, incluindo membros da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), FNSUS e equipes de Saúde Indígena, para minimizar os impactos no SUS em território brasileiro.
Adicionalmente, o ministério se colocou à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) para colaborar com ações de ajuda humanitária, caso necessário. “Estamos prontos para fornecer medicamentos e insumos para diálise, especialmente porque o principal centro de distribuição em La Guaira, na Venezuela, foi danificado pelo ataque”, enfatizou Padilha.
Fortalecimento da Operação Acolhida
A Operação Acolhida, que proporciona suporte aos migrantes, foi integralmente assumida pelo Ministério da Saúde em 2025, após a interrupção do financiamento das agências internacionais pelos Estados Unidos. Desde julho, com a implementação do Projeto Saúde nas Fronteiras, em colaboração com a AgSUS, o ministério conta com uma equipe permanente de 40 profissionais dedicados a atender e acolher migrantes nos abrigos de Pacaraima e Boa Vista. Desde o início do projeto, foram investidos cerca de R$ 900 mil em equipes e insumos.
O projeto Saúde nas Fronteiras é composto por equipes multiprofissionais, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e mediadores interculturais. Eles atuam em espaços de alojamento e ocupações espontâneas, além de contar com técnicos de enfermagem e auxiliares administrativos focados na imunização dos migrantes.
Entre setembro e novembro de 2025, foram realizados mais de 5 mil atendimentos, sendo 2 mil na capital Boa Vista e 3 mil em Pacaraima. Nos anos de 2024 e 2025, o ministério aplicou aproximadamente 500 mil doses de vacinas como parte da Operação Acolhida. Em um cenário de emergência, o Ministério da Saúde se prepara para aumentar significativamente sua capacidade de atendimento no SUS, passando de três para nove equipes itinerantes dedicadas ao Saúde nas Fronteiras.
O Ministério da Saúde reafirma o compromisso do SUS como referência internacional na prestação de assistência médica integral a todas as pessoas em território nacional. Para os imigrantes que chegam a cidades próximas à fronteira, esse direito é garantido, independentemente do status migratório ou nacionalidade.
