Transparência é Fundamental para a Gestão Pública
O advogado Kiko Caputo, que se apresenta como pré-candidato do partido Novo ao Governo do Distrito Federal (GDF), participou de uma entrevista no CB.Poder, uma parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Durante a conversa com as jornalistas Adriana Bernardes e Mariana Niederauer, Caputo comentou sobre a crise que envolve o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Ele também explicou suas motivações para a candidatura, que se concretiza nesta quarta-feira (22/4), e apresentou suas promessas para um futuro governo.
Na entrevista, Caputo não poupou críticas à atual administração ao analisar a crise bancária. Segundo ele, “infelizmente, Brasília voltou a ser alvo de escândalos financeiros, o que é lamentável. Este é o maior escândalo da história do DF e, por consequência, do Brasil”. O pré-candidato destacou que a falta de transparência do governo, que já está em seu sétimo ano, é um dos principais obstáculos para a solução dos problemas econômicos enfrentados. “Como podemos resolver um problema se não sabemos sua dimensão? Ninguém se manifestou publicamente sobre a gravidade da situação. Sabemos que há um rombo considerável e isso ameaça um patrimônio da sociedade, pois o BRB é um bem público que precisa ser salvaguardado. A quebra do banco seria um desastre para o DF. Contudo, como podemos encontrar soluções se nem ao menos temos acesso a informações claras sobre o problema? A transparência é essencial para qualquer gestão”, declarou Caputo.
Intervenção do Governo Federal: Uma Possibilidade?
Quando questionado sobre a possível intervenção do governo federal na crise do BRB, Caputo se mostrou cético. “Eu não sei se uma intervenção seria a solução, pois não temos dados suficientes para afirmar que essa é a melhor saída. Desde setembro do ano passado, não temos um balanço atualizado do banco. Isso é inadmissível”, afirmou. Ele enfatizou que a responsabilidade deve recair sobre aqueles que tomaram decisões políticas que resultaram na situação atual do banco. “Algumas pessoas já foram identificadas, mas é preciso responsabilizar aqueles que deram as ordens para que esse desastre acontecesse. Os líderes do Palácio do Buriti estavam cientes do que estava acontecendo e, mesmo assim, insistiram em prosseguir com o que sabidamente era prejudicial ao BRB”, criticou Caputo.
Motivações Pessoais e Políticas
Sobre sua transição da advocacia para a política, Caputo compartilhou sua indagação interna. “As pessoas questionam por que deixo uma vida confortável após 32 anos como advogado. Sou casado e pai de três filhos, com uma carreira consolidada. No entanto, a indignação com a transformação de Brasília me motivou a agir”, revelou. Ele ressaltou que seus 53 anos de vida na cidade, desde que chegou com três anos, o fizeram testemunhar o que considera um retrocesso em termos de gestão pública. “Meu pai chegou a Brasília em 1972, e eu vivi a cidade sonhada por Juscelino Kubitschek. A Brasília que conheci funcionava, mas o que temos hoje é muito distante disso. Não posso aceitar passivamente essa situação, é por isso que decidi candidatar-me”, explicou Caputo.
Prioridades em um Futuro Governo
O pré-candidato destacou que a saúde pública será uma de suas principais prioridades. “O que estão fazendo com a saúde no DF é inaceitável. A corrupção e a falta de gestão são evidentes em todos os níveis”, declarou. Ele propõe parcerias com a iniciativa privada para melhorar os serviços de saúde, com o objetivo de reduzir filas para cirurgias e exames. “O tempo entre diagnóstico e exames é crucial e não podemos deixar o atendimento desestruturado”, enfatizou.
Mobilidade e Desenvolvimento do DF
Caputo também comentou sobre a questão da mobilidade urbana. Para ele, a gratuidade de transporte nos fins de semana, embora positiva, não resolve os problemas estruturais. Ele defende um investimento maior em transporte sobre trilhos e uma atualização do metrô, que, segundo ele, está sucateado. “Precisamos de um sistema eficiente, que funcione e atenda a população de maneira digna. As grandes cidades do mundo já demonstraram que investir em transporte público de qualidade é a solução”, disse.
Por fim, o pré-candidato reconheceu a necessidade de parcerias com a iniciativa privada para impulsionar o desenvolvimento em mais de 30 regiões administrativas do DF. “O Estado deve ser um indutor de investimentos, mas a iniciativa privada é quem deve liderar o desenvolvimento. Estamos enfrentando um rombo significativo nas contas públicas, mas temos que focar em fechar os ralos da corrupção e garantir que os recursos sejam investidos de forma eficiente”, concluiu Caputo.
