Participação jovem em foco no encontro em Brasília
Durante dois dias, jovens latino-americanos reunidos no fórum “Governos do Futuro: Expectativas da Juventude”, realizado em Brasília, defenderam maior protagonismo nas decisões políticas e acesso ampliado a oportunidades. O evento, promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) com o apoio da Agência EFE, culminou na elaboração de uma carta aberta com recomendações que serão encaminhadas a autoridades da América Latina e do Caribe.
Entre os principais pontos discutidos, destacou-se a necessidade de ampliar o papel dos jovens na formulação de políticas públicas. Os participantes apontaram que o distanciamento entre a juventude e as instituições políticas decorre menos do desinteresse e mais de barreiras estruturais que dificultam o acesso a esses espaços.
Keven Paca, estudante de Geografia de 22 anos da periferia de Brasília, ressaltou à Agência EFE que a carta elaborada durante o encontro deve ser recebida com atenção pelos governantes para promover uma América Latina e Caribe mais justos e com mais oportunidades para os jovens.
Regulação digital e combate à desinformação entre prioridades
A Carta da Juventude pelo Futuro da Democracia reúne cinco eixos principais, com ênfase na participação política, inclusão social e proteção contra a desinformação. Um dos temas centrais é a defesa de regras mais rigorosas para plataformas digitais, incluindo maior transparência sobre algoritmos e responsabilização das grandes empresas de tecnologia pela propagação de conteúdos falsos.
Leia também: Avanços na Regulação Digital: SDAI Fecha 2025 com Novas Iniciativas
Fonte: feirinhadesantana.com.br
Essa demanda se alinha às medidas recentes adotadas pelo governo brasileiro. No mesmo período do fórum, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que estabelece regras para a remoção preventiva de conteúdos ofensivos nas redes sociais, especialmente em casos relacionados a crimes graves como terrorismo, ataques à democracia, racismo, homofobia e violência contra a mulher.
Além da regulação digital, os jovens defenderam a inclusão da educação midiática e digital nos currículos escolares, visando reduzir a vulnerabilidade à desinformação, sobretudo diante do avanço da inteligência artificial.
Demandas por inclusão social e condições de trabalho
A carta também aborda a proteção de grupos historicamente vulneráveis, como mulheres, população negra, indígenas e minorias sexuais. Entre as reivindicações estão a ampliação de políticas públicas de combate à violência e garantia de acesso a serviços básicos.
Outro foco são as condições de trabalho, com pedidos por políticas que assegurem emprego digno e tempo livre, permitindo maior participação cidadã dos jovens.
Desalinhamento entre juventude e política tradicional
Ao final do encontro, uma enquete com os participantes revelou uma percepção de distância entre as expectativas da juventude e a realidade institucional na América Latina. Para 83,7% dos jovens, é necessária uma reforma que coloque a juventude como ator político central, embora essa mudança seja vista como distante no curto prazo.
Entre os entrevistados, 46% defendem a manutenção do sistema democrático sem grandes alterações, enquanto 31% projetam aumento da influência de discursos populistas e da polarização política na região.
Relatos de jovens de países como Argentina, Colômbia, Bolívia, México e Venezuela, reunidos em vídeos pela Agência EFE, reforçaram essas avaliações. Eles apontaram que o afastamento das novas gerações da política institucional não decorre de apatia, mas sim de dificuldades de acesso e da predominância de estruturas tradicionais nos partidos.
A atividade partidária foi frequentemente descrita como concentrada em elites políticas, com pouca abertura para renovação geracional. Como resposta, os jovens propuseram mudanças no funcionamento dos partidos, ampliação da educação política e mecanismos mais efetivos de fiscalização cidadã nos processos eleitorais.
