Crise no Agronegócio e Recuperação Judicial
A Justiça do Mato Grosso aceitou o pedido de recuperação judicial do Grupo Forte Agro, localizando a raiz da crise em um cenário de inadimplência crescente no agronegócio. A situação, marcada por uma série de calotes de produtores rurais, já estrangulou quase R$ 50 milhões do fluxo de caixa da empresa, sediada em Rondonópolis. O fenômeno, conhecido como ‘efeito dominó’, reflete como a inadimplência dos produtores impacta toda a cadeia produtiva, afetando diretamente revendas e fornecedores.
Nos últimos tempos, o agronegócio brasileiro vem enfrentando uma série de desafios, como a restrição ao crédito, juros elevados e custos de produção em alta. Esse contexto não apenas pressionou os produtores, mas também levou empresas como o Grupo Forte Agro a solicitar proteção judicial.
Decisão da Justiça e Fatores Externos
A decisão foi proferida em dezembro pelo juiz Renan Pereira do Nascimento, que destacou que a situação da empresa foi severamente afetada por fatores que estão além do controle da administração. A crise de inadimplência, na qual muitos dos clientes da Forte Agro já estão em recuperação judicial, foi apontada como um dos principais motivos que contribuíram para a deterioração da saúde financeira do grupo.
O juiz enfatizou que o ambiente econômico adverso, caracterizado por uma elevação no custo de crédito e juros, bem como um aumento nos custos de produção, tem gerado um impacto direto nas empresas do setor. Apesar disso, não há indícios de que a empresa seja inviável; ao contrário, a análise realizada por peritos confirma que o Grupo Forte Agro continua em operação e é economicamente viável.
Estrutura do Grupo e Inadimplência Acumulada
O passivo em recuperação judicial do grupo é estimado em R$ 260 milhões e abrange diversas entidades vinculadas, como a Forte Agro Ltda. e a Pró Campo Comércio de Máquinas e Equipamentos Ltda. Além disso, inclui produtores rurais como Luciano Aldacyr Perozzo e Rodrigo Nogueira Lima, o que revela uma integração significativa entre os negócios que compõem o agronegócio.
O juiz também observou que o represamento de quase R$ 50 milhões, em créditos não recebidos, comprometeu a saúde financeira do grupo. Esse valor é, em grande parte, relacionado a clientes que também estão enfrentando dificuldades financeiras, criando uma armadilha onde a empresa precisa continuar operando, mas não consegue receber o pagamento por suas vendas.
Ambiente Econômico e Viabilidade do Grupo
A análise judicial também levou em consideração outros fatores que contribuíram para a crise, como a retração do crédito rural, o encarecimento das operações financeiras e a instabilidade do mercado. Mesmo enfrentando um ambiente econômico desafiador, a Justiça não identificou irregularidades na condução dos negócios da empresa.
Os laudos periciais reforçam que o Grupo Forte Agro continua ativo e em condições de operação, o que vai ao encontro do objetivo da recuperação judicial: reorganizar as finanças da empresa sem comprometer sua viabilidade.
Consolidação e Suspensão de Ações
A Justiça também determinou a consolidação substancial dos devedores, reconhecendo a forte interdependência entre as partes envolvidas. Isso significa que o processo de recuperação será conduzido levando em conta a realidade econômica do grupo como um todo, garantindo um tratamento equitativo para todos os credores.
Como parte do processo de recuperação, foi estabelecida a suspensão de ações e execuções por um período de 180 dias, permitindo que o grupo tenha um tempo necessário para reestruturar suas finanças sem a pressão de cobranças imediatas.
Próximos Passos e Recuperação Judicial
Com o deferimento do pedido, o Grupo Forte Agro agora terá um prazo de 60 dias para apresentar seu plano de recuperação judicial, que será fundamental para determinar a renegociação de dívidas e garantir a continuidade das operações. O sucesso dessa reestruturação dependerá não apenas da aceitação dos credores, mas também da capacidade da empresa de se adaptar à nova realidade financeira do mercado.
