Mobilização e Demandas dos Professores
Na última segunda-feira (13), docentes da Universidade do Distrito Federal Jorge Amaury (UnDF) realizaram um protesto em frente ao Palácio do Buriti, visando convocar a governadora do DF, Celina Leão (PP), para uma audiência. Os professores estão em greve desde 20 de março e afirmam que a carreira do magistério superior no Distrito Federal é uma das mais desvalorizadas no país.
A mobilização tem como objetivo estabelecer um canal de comunicação com o governo. Os educadores relatam que as negociações com a reitoria não apresentam avanços e que a judicialização do movimento tem sido usada como uma forma de pressão. Na quarta-feira anterior (8), uma decisão judicial obrigou a retomada de 80% das atividades, sob pena de uma multa diária de R$ 50 mil.
Embora tenham aceito o cumprimento do percentual estipulado para evitar complicações legais, os professores decidiram manter a greve. “A decisão da categoria é continuar a greve pelo tempo necessário para conseguirmos nossas reivindicações”, comentou Louis Blanchet, presidente do Sindicato dos Docentes da UnDF (SindUnDF).
Questões Salariais Críticas
Uma das principais demandas dos professores diz respeito à precariedade salarial e à ausência de uma estrutura de carreira adequada. De acordo com os educadores, os salários na UnDF estão aquém dos oferecidos por outras universidades estaduais e federais, assim como também em comparação a outras profissões de nível superior no Distrito Federal.
A professora de Serviço Social, Márcia Guedes, destacou que “o salário base de um professor com doutorado é de R$ 6.000, um valor muito inferior ao que é pago em outras instituições estaduais e, principalmente, federais”. Segundo ela, a situação atual da carreira é alarmante, e a gestão não tem promovido a participação ativa dos docentes.
Louis Blanchet ressaltou a necessidade urgente de mudanças para assegurar a sobrevivência da UnDF. “Nós estamos entre as categorias docentes com os menores salários do Brasil, especialmente no Distrito Federal. A nossa situação é extremamente precária”, analisou.
Críticas à Gestão e Falta de Democracia
Além das reivindicações salariais, os professores criticam a falta de democracia interna e decisões administrativas que consideram autoritárias. A transferência de cursos do campus Norte para um prédio alugado do Centro Universitário Iesb, em Ceilândia, que custará cerca de R$ 110 milhões em cinco anos, é um dos pontos mais controversos. “Essa mudança está gerando evasão de alunos e desorganizando nossas atividades acadêmicas e administrativas”, explicou Guilherme Bruno, membro da diretoria do SindUnDF.
A categoria exige mais transparência no uso dos recursos e pede a interrupção da mudança, que teria sido realizada sem a consulta prévia à comunidade acadêmica. A professora de matemática, Luísa Ramos, enfatizou que a universidade precisa de autonomia e uma reitoria escolhida pelo próprio corpo docente. “Nós queremos ser valorizados para exercer nossa função sem a intervenção de uma reitora que não respeita o corpo docente. Estamos aqui pedindo eleições para reitor”, declarou.
Vale lembrar que a paralisação dos professores ocorre em conjunto com o movimento OcupaUnDF, que foi iniciado pelos alunos em 18 de março. Os estudantes argumentam que a mudança para Ceilândia ignora a necessidade de permanência estudantil, afetando negativamente o acesso para aqueles que dependem do transporte público. O Diretório Central Acadêmico (DCA) também mencionou casos de assédio moral e perseguição política enfrentados por alunos que apoiam a greve.
Articulações na Câmara Legislativa
Antes do protesto, o comando de greve se reuniu na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) com os deputados distritais Wellington Luiz (MDB) e Fábio Félix (Psol) para garantir que eles intercedam junto à governadora para agendar uma reunião oficial ainda nesta semana.
A expectativa é que essa reunião ocorra na quarta-feira (15), embora a confirmação ainda não tenha sido feita pelo governo. “Estamos esperançosos de que essa reunião ocorra o mais breve possível para resolver as pautas da greve e as demandas dos docentes”, destacou Blanchet.
Além das questões financeiras, os professores também pedem a fusão dos cargos de professor e tutor e reivindicam que 70% dos conselhos superiores sejam ocupados por docentes da carreira. “Continuamos buscando diálogo com a governadora e negociando para encerrar a greve com sucesso”, concluiu Guilherme Bruno.
Cabe mencionar que durante o ato, dois representantes da Secretaria de Atendimento à Comunidade se aproximaram de Louis Blanchet, indicando a possibilidade de intermediar um encontro com a governadora. Entretanto, os manifestantes consideraram esse gesto como uma tentativa de “adiar” a abertura de negociações, sem trazer avanços concretos.
Posicionamento da Reitoria
Em uma nota anterior, a reitoria da UnDF afirmou que respeita o direito à greve, mas que a judicialização busca garantir o funcionamento mínimo da universidade. Sobre a mudança para Ceilândia, a gestão defendeu que essa medida foi baseada em estudos técnicos visando assegurar condições seguras para o funcionamento da instituição.
Até o momento do fechamento desta matéria, o Governo do Distrito Federal (GDF) ainda não havia confirmado a data da reunião com os docentes.
