Aumento dos feminicídios no Distrito Federal
O Distrito Federal registrou um crescimento de 31,1% nos casos de feminicídio entre os anos de 2024 e 2025, passando de 22 para 29 mortes. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), na última quinta-feira (23). Além do aumento nos feminicídios consumados, o DF também apresentou uma elevação de 41,4% nas tentativas de feminicídio, com 95 ocorrências em 2024 e 135 em 2025. Os pesquisadores do Fórum ressaltam que as mulheres que figuram nas estatísticas de tentativas podem futuramente integrar as vítimas fatais da violência de gênero.
Contexto nacional e perfil das vítimas
No âmbito nacional, o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, um aumento de 4% em relação ao ano anterior, com uma taxa de 1,4 vítimas para cada 100 mil mulheres. As mulheres entre 25 e 29 anos foram as mais afetadas, representando 17,2% dos casos. O Anuário utiliza informações oficiais provenientes das secretarias estaduais de segurança pública, polícias civis, militares e federal.
Segundo a pesquisadora do FBSP, Beatriz Schroeder, o aumento nos feminicídios está associado tanto a um crescimento real da violência quanto à melhoria na qualidade dos registros. Em 2025, as mulheres foram vítimas de diversas formas de agressão, incluindo lesão corporal, ameaças, perseguição e violência psicológica. “O crescimento dos feminicídios acompanha o aumento das diferentes formas de violência contra as mulheres”, explica Schroeder. Ela também destaca que os órgãos de segurança pública estão identificando com maior precisão as mortes relacionadas à violência de gênero.
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Perfil das vítimas e desafios na proteção
O Anuário revela que mulheres negras continuam sendo as principais vítimas de violência letal no país, representando 65,1% dos feminicídios, enquanto mulheres brancas correspondem a 34% dos casos. No Distrito Federal, entre as 29 mulheres vítimas em 2025, quatro possuíam Medida Protetiva de Urgência (MPU) ativa no momento dos assassinatos. O DF registrou 2.697 casos de descumprimento dessas medidas, acima dos 2.262 casos em 2024.
O número de casos de perseguição (stalking) também aumentou no DF, passando de 2.563 em 2024 para 2.661 em 2025. No Brasil, essa variação foi ainda maior, com um crescimento de 30,1%. A violência contra a mulher no país vai além das agressões físicas, incluindo formas morais e psicológicas.
A advogada Lara Bergamini ressalta a necessidade de aprimorar a capacitação dos agentes públicos para o atendimento especializado às vítimas, especialmente diante do aumento da perseguição digital. Ela comenta que muitas mulheres enfrentam dificuldades para denunciar e obter proteção efetiva devido à falta de estruturas específicas, como delegacias de polícia especializadas em crimes cibernéticos.
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Instrumentos utilizados e perfil dos agressores
De acordo com o Anuário, a arma branca — que inclui facas, canivetes e outros objetos perfurocortantes — foi o principal instrumento utilizado nos feminicídios em 2025, responsável por 50,8% dos casos. Armas de fogo foram empregadas em 22,5% dos assassinatos.
Em relação aos autores dos crimes, companheiros e ex-companheiros foram responsáveis por 79,8% dos feminicídios identificados. Apenas 2,8% dos casos envolveram autores desconhecidos. Quase dois terços dos feminicídios ocorreram dentro da residência da vítima ou do agressor, com 62,5% dos casos concentrados no ambiente doméstico.
Prevenção e desafios futuros
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca que a violência contra a mulher é um problema social e cultural que exige mais do que ações do sistema de justiça criminal. A prevenção efetiva demanda educação, transformação das normas sociais e fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres. O aumento dos casos no Distrito Federal reforça a necessidade de medidas integradas e específicas para conter a escalada da violência de gênero na região.

