O Impacto do Escândalo nas Políticas de Saúde
O início de 2026 marca um momento crítico para o Governo do Distrito Federal, liderado por Ibaneis Rocha (MDB) e Celina Leão (Progressistas), em meio a um dos mais notórios casos de corrupção do Brasil. O escândalo do Banco Master pode acarretar um prejuízo estimado em R$5 bilhões ao Banco de Brasília (BRB). O governador Ibaneis está sob investigação pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ), acusado de corrupção e de atuar como um dos principais intermediários deste esquema. Durante uma depoimento, ele foi mencionado diretamente por Daniel Vorcaro, que relatou reuniões entre os dois para a formalização do acordo.
O envolvimento de Ibaneis no escândalo não apenas compromete a saúde financeira do BRB, mas também coloca em risco o bem-estar da população do DF. A situação do governo, que já se mostrava crítica, se agrava, revelando uma administração que, antes mesmo das denúncias, já era alvo de insatisfação por sua gestão na saúde pública.
Aqueles que tiveram que buscar atendimento em saúde mental no DF reconhecem a precariedade da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A existência de apenas 18 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), sendo que apenas 14 estão habilitados, resulta na segunda pior cobertura do país. As estatísticas são alarmantes: apenas uma Unidade de Acolhimento (UA) com 15 vagas está disponível para pessoas em situação de vulnerabilidade social, e nenhuma unidade atende crianças e adolescentes. Além disso, a infraestrutura conta com apenas dois Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs) e insuficientes leitos clínicos em hospitais gerais.
Outro fator preocupante é a ausência de concursos para especialistas em saúde mental há mais de 10 anos, fazendo com que o DF ocupe a 20ª posição entre as 27 unidades federativas em quantidade de psiquiatras, enfermeiros e psicólogos nos CAPS. Essa escassez de profissionais agrava ainda mais a já deficiente oferta de serviços na área.
Possibilidades Perdidas e Prioridades Governamentais
Considerando o rombo de R$5 bilhões estimado pelo Banco Central, poderia ser possível construir 1.358 CAPS III (24h) ou 1.385 CAPSi, que atendem crianças e adolescentes. A realidade, porém, demonstra que a questão não é a falta de recursos financeiros, mas sim uma estratégia de desmonte das políticas públicas de saúde mental. O recente corte de R$1,1 bilhão do orçamento da saúde para 2026, somado a um contingenciamento de mais de R$400 milhões em 2025, mostra um claro descompasso entre as necessidades da população e as prioridades do governo.
Mesmo com promessas de novos CAPS, a realidade continua sendo alarmante. O mandato de Ibaneis, que se aproxima do fim, não trouxe nenhuma nova unidade de CAPS para o DF. Em 2010, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) já havia ajuizado uma ação exigindo a construção de 19 CAPS; até hoje, apenas 5 foram concluídos, nenhum durante a gestão atual. A população de 2025 exigiria, na verdade, mais 18 CAPS habilitados para atender às normas do Ministério da Saúde.
Atualmente, a proporção de CAPS habilitados no DF é de apenas 0,54 por 100 mil habitantes, um número que fica bem abaixo da média nacional, que é de 1,13. O último CAPS inaugurado foi o CAPS I de Brazlândia, em março de 2018, o que significa que já se passaram quase 8 anos sem a adição de novas unidades essenciais.
Os recentes comentários de Ibaneis sobre “apertar o cinto e cortar gastos em 2026” acendem um alerta vermelho, especialmente para categorias de servidores da saúde que já enfrentam atrasos nos pagamentos. O que se observa, diante do escândalo do Banco Master, é que o “cinto” do governo Ibaneis-Celina parece estar sendo apertado apenas sobre as políticas públicas e sobre os direitos da população do DF.
Esse cenário ressalta uma triste realidade: a saúde e os direitos dos cidadãos da capital não são prioridades para o governo atual. A necessidade de ações efetivas se torna mais urgente do que nunca, a fim de resgatar a dignidade da saúde mental na região.
