Denúncias sobre o Sistema Educa-DF
Recentemente, o Esquerda Diário recebeu relatos alarmantes sobre as falhas constantes do Educa-DF, um sistema de gestão escolar implantado pela Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) em 2019, durante a gestão de Ibaneis Rocha (MDB). Com um custo anual superior a R$ 40 milhões, o sistema foi apresentado como uma solução para modernizar a administração escolar, mas a realidade tem se mostrado bem diferente. De acordo com as secretárias escolares, a plataforma não apenas falha em suas promessas, como também prejudica o trabalho dos professores, levando a uma série de paralisações. Uma das últimas ocorreu em 23 de abril, com a pauta central de exigir melhorias no sistema.
Em uma entrevista com M e F., secretárias de escolas localizadas no Gama e no Recanto das Emas, elas compartilharam experiências frustrantes desde a implementação do Educa-DF. M. destacou que a situação se agravou neste ano, especialmente após a expansão do sistema para outras etapas da educação, o que tornou o manuseio ainda mais complicado. Para C., o principal problema é a falta de funcionalidade do sistema. “A gente não consegue fazer nada. Até para gerar históricos, temos que inserir a data manualmente, pois o sistema os exibe em branco. É impossível produzir relatórios para reuniões com pais e emitir boletins”, afirmou.
Consequências da Falta de Funcionalidade
F., outra secretária, acrescentou que, além das falhas operacionais, o sistema não suporta adequadamente as especificidades dos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). “No ano passado, tivemos uma greve, e os professores foram obrigados a registrar as frequências no mesmo dia, o que não está de acordo com a legislação”, disse, apontando a ineficiência do sistema em registrar corretamente as atividades escolares. Para as secretárias, a situação é insustentável. “Estamos sobrecarregadas. O sistema é uma fonte de estresse que afeta nossa saúde física e mental”, comentou M.
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Fonte: bh24.com.br
Falta de Suporte e Aumento das Demandas
Em uma conversa com o Esquerda Diário, M e C. relataram que a SEEDF não tem respondido adequadamente às reclamações. “No dia 9 de abril, essa questão foi discutida na câmara legislativa do DF, mas a SEEDF não enviou representantes”, ressaltou M. C. concordou, afirmando que as respostas aos chamados são genéricas e não oferecem soluções. “Estamos em um verdadeiro caos. Tudo parece indicar que a responsabilidade é nossa, como se não soubéssemos operar o sistema, enquanto, na verdade, ele simplesmente não funciona”, explicou ela.
Em meio a essas dificuldades, o não atendimento às demandas se torna ainda mais evidente. “O Sinpro já relatou os problemas à SEEDF, mas não somos ouvidos. A resposta é sempre a mesma: ‘o sistema é ótimo’ e que somos nós que não sabemos usá-lo”, disse F.
saúde dos trabalhadores em Risco
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Fonte: omanauense.com.br
As secretárias também relataram um aumento notável nos problemas de saúde entre os servidores devido à carga de trabalho excessiva. “Falta pessoal nas escolas desde o último concurso, realizado em 2017. Com o sistema falho, a situação só vem se agravando”, observou M. F. complementou, mencionando que muitos secretários desenvolvem problemas de saúde, como lesões por esforço repetitivo, devido à pressão constante. “Os prazos estipulados pela secretaria nos obrigam a levar trabalho para casa. Estamos sobrecarregados e cada vez mais doentes”, lamentou.
A Necessidade de Mudanças Estruturais
Em resposta à crise enfrentada, questionou-se a atuação da SEEDF e dos órgãos responsáveis. As secretárias acreditam que é urgente estabelecer uma política de unificação entre o SAE-DF e o Sinprodf para tratar das demandas de professores e secretários juntos. “Devemos lutar unidos. As falhas no Educa-DF afetam tanto os professores quanto os secretários, e é fundamental que as reivindicações sejam ouvidas por igual”, finalizou F.
