Transformando o Carnaval
Coletivos culturais e sociais têm desempenhado um papel fundamental na ampliação de vozes e na promoção de identidades historicamente marginalizadas no Brasil. Nesse contexto, o coletivo Distrito Drag se destaca por unir folia e representatividade LGBTQIAPN+, realizando ações culturais desde 2018 e fazendo história na capital federal.
No Carnaval de 2026, a festa ganhou contornos ainda mais grandiosos. Segundo dados da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, o Bloco das Montadas atraiu cerca de 120 mil foliões para as ruas ao redor do Museu Nacional da República, tornando-se o maior bloco de carnaval do DF em termos de público. Com atrações como a renomada cantora Gretchen, a celebração evidenciou que a folia é também um espaço de resistência, identidade e acolhimento.
A edição deste ano foi marcada por momentos significativos, incluindo um ato de protesto contra o feminicídio durante o bloco. O diretor executivo do Distrito Drag, Victor Baliane, comentou sobre a importância do momento: ‘Ver os foliões de punhos erguidos contra essa barbárie que tem acontecido na nossa sociedade foi muito impactante.’ O show de Gretchen também deixou uma marca na memória de todos: ‘Foi emocionante ver pessoas cantando músicas das décadas de 1970 e 1980, muitas delas nem tinham nascido naquela época, mas estavam ali celebrando juntas’, acrescentou.
Folia e Representatividade
Iniciativas como a do Distrito Drag não apenas ampliam a representatividade, mas também lançam luz sobre questões sociais alarmantes. Em 2025, o Brasil registrou cerca de 257 mortes violentas de pessoas LGBTQIAPN+, conforme relatório do Grupo Gay da Bahia. Além disso, o país ocupa o primeiro lugar mundial em assassinatos de pessoas trans e travestis, segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).
Victor Baliane destacou que o Bloco das Montadas simboliza a força e a resiliência da comunidade: ‘Mostra o quanto somos capazes de reunir diferentes públicos, independentemente da orientação sexual ou identidade de gênero. Temos foliões idosos, famílias inteiras que celebram o carnaval conosco.’ Essa celebração, além de promover a cultura, serve como um grito de resistência diante de uma sociedade que ainda enfrenta muitos desafios.
Conheça o Distrito Drag
O Distrito Drag é um coletivo que nasceu em outubro de 2017, com a missão de ser um espaço de auto-organização e autoformação de artistas voltados à cultura LGBTQIAPN+. Inicialmente, composto apenas por drag queens, o grupo ampliou seus horizontes e agora abrange diversas expressões culturais. Seu objetivo é divulgar a arte transformista, percebendo a cultura como uma forma de política e participação ativa na cena cultural do Distrito Federal e além.
O diretor executivo, Victor Baliane, enfatizou a evolução do coletivo: ‘O Distrito Drag começou como um grupo exclusivamente de drag queens, mas se diversificou ao longo do tempo. Hoje, somos um coletivo plural, e temos orgulho de atuar como agentes de transformação.’ Além da folia do Carnaval, o coletivo promove eventos durante todo o ano, como o Fast Drag, em homenagem ao Mês do Orgulho, e a Performática Drag, um espetáculo com 20 drag queens. Também oferece cursos técnicos e culturais por meio do projeto Qualifique-se Mais, na sede em Brasília.
‘Queremos mostrar como um coletivo LGBTQIA+ pode impactar a cultura do Distrito Federal, não apenas difundindo nossa arte, mas também unindo a sociedade. Já conseguimos um impacto significativo e nos alegra ver como o DF abraçou nosso sonho e nossa causa, transformando a cidade junto conosco’, concluiu Victor Baliane.
