A Corrida Eleitoral no Distrito Federal

A eleição de 2026 no Distrito Federal promete ser um marco significativo, especialmente para a primeira-dama Michelle Bolsonaro, que é a aposta do PL para o Senado. A expectativa gira em torno de como ela irá se comportar na disputa, enquanto o atual governador Ibaneis Rocha enfrenta questionamentos relacionados ao escândalo do Banco Master e sua manobra em torno da operação do BRB, que visa salvaguardar sua posição.

Com a decisão de Jair Bolsonaro de lançar seu filho Flávio como candidato à presidência, o PL concentra suas energias na candidatura de Michelle. Até aqui, a primeira-dama tem percorrido diversas partes do país como líder do PL Mulher e, em julho de 2025, oficializou sua mudança de domicílio eleitoral para o DF, um passo necessário para se candidatar ao Senado.

A deputada federal Bia Kicis comentou sobre a situação, afirmando que a candidatura de Flávio à presidência tornou natural a decisão de Michelle de se candidatar ao Senado. “O foco do PL não está na presidência, mas em garantir uma maioria no Senado e na Câmara. Não queremos que nenhum voto que poderia eleger senadores de esquerda seja perdido”, disse Kicis.

Embora a confirmação da candidatura de Michelle ainda não tenha sido oficializada, ela tem se mostrado cautelosa em relação à sua exposição, segundo Joscimar Silva, professor de Ciência Política da UnB. Ele observa que ela tem demonstrado uma habilidade notável para articular em segundo plano, o que pode criar tensões com os filhos de Bolsonaro, que percebem sua crescente influência e autonomia política.

Ibaneis Rocha Sob Pressão

Enquanto isso, Bia Kicis expressou seu desejo de concorrer ao Senado, aumentando a competitividade na outra vaga que inclui o governador Ibaneis Rocha (MDB). Ibaneis, que até então era visto como o favorito na corrida, devido à sua reeleição em 2022, agora lida com escrutínio intensificado envolvendo seu governo e as relações do BRB com o Banco Master.

Segundo Joscimar Silva, Ibaneis mantém uma boa interlocução com o eleitorado, o que pode ser uma vantagem na disputa. “Embora ele se comunique com uma base mais radicalizada, é bem aceito como um gestor e não apenas como um político”, destaca o professor da UnB.

Ibaneis reafirma sua legitimidade para concorrer, assim como Michelle e Bia Kicis, deixando a decisão final nas mãos dos eleitores de Brasília. Por outro lado, dois nomes surgem à direita na corrida pelo governo: Celina Leão, atual vice-governadora, e José Arruda, ex-governador.

Celina, apoiada por Ibaneis e Michelle, é considerada uma forte candidata, enquanto Arruda, conhecido por sua trajetória política nos anos 90 e 2000, tenta consolidar seu apoio, mesmo lidando com barreiras legais decorrentes de sua condenação por corrupção.

Os Desafios da Esquerda

Do lado oposto, a esquerda aponta Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB) como pré-candidatos ao governo do DF. Grass, atual presidente do Iphan, e Cappelli, ex-secretário do Ministério da Justiça, já formalizaram suas intenções, mas a aliança entre PT e PSB ainda é um tema em aberto, com ambos discutindo possíveis coligações.

Grass destaca que unir o campo progressista é essencial para vencer as eleições, buscando diálogos com partidos como PSOL e PCdoB. Enquanto isso, Cappelli procura alianças com todos que não apoiam Bolsonaro, reforçando o desejo de uma candidatura forte ao governo.

Na disputa pelo Senado, o consenso entre a esquerda parece mais próximo, com a deputada Erika Kokay (PT) e a senadora Leila do Vôlei (PDT) se destacando como as opções mais competitivas. Erika destaca a importância de formar um campo democrático popular para enfrentar a extrema direita, enquanto enfatiza que as pesquisas refletem apenas um momento e que a mobilização da militância será fundamental.

Entretanto, a dificuldade de mobilização do PT no DF, exacerbada pela fragmentação do campo, é uma preocupação. Segundo Joscimar Silva, a base eleitoral da esquerda é limitada, especialmente em uma capital onde os traços culturais tendem a favorecer a direita.

Painel Eleitoral e Expectativas

Com a chegada das eleições, o cenário político no Distrito Federal se torna cada vez mais dinâmico, refletindo a polarização atual. A disputa entre nomes fortes, tanto na direita quanto na esquerda, promete movimentar o cenário, com cada candidato buscando consolidar sua base e atrair apoio. A capacidade de articulação e a unidade entre os partidos farão toda a diferença na corrida ao governo e ao Senado no DF.

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