Um Chamado Para Ação
No recente CB.Debate intitulado “Janeiro Branco: diálogos sobre a saúde mental”, especialistas e autoridades ressaltaram a urgência de se tratar a saúde mental como uma prioridade nacional. A abertura do evento, que ocorreu no auditório do Correio Braziliense, trouxe à tona a voz da comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal, Ana Paula Habka, e da subsecretária de Saúde Mental do DF, Fernanda Falcomer.
Durante sua fala, o presidente do Correio Braziliense, Guilherme Machado, manifestou preocupação com o estado atual da rede pública de saúde mental no Distrito Federal. Ele enfatizou a relevância da criação da Subsecretaria de Saúde Mental, uma iniciativa que, segundo ele, é crucial para a melhoria do atendimento nessa área.
A Importância do Acesso ao Tratamento
A subsecretária Fernanda Falcomer não hesitou em afirmar que a melhoria na rede de atendimento à saúde mental é uma “prioridade absoluta”. “Estamos trabalhando arduamente para que todas as pessoas tenham acesso ao necessário em termos de saúde mental. Contudo, é um desafio, uma vez que o preconceito e o estigma muitas vezes impedem as pessoas de procurarem ajuda”, destacou Falcomer.
Ela também trouxe à tona dados alarmantes: os atendimentos nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) no DF aumentaram entre 300% e 400% por ano. Para ela, a conscientização sobre a saúde mental deve ser uma responsabilidade compartilhada entre o governo e a sociedade. “A saúde mental não se restringe apenas a uma política pública; é uma responsabilidade coletiva”, afirmou.
Estruturas de Apoio e Novas Iniciativas
Falcomer esclareceu que o acesso ao cuidado em saúde mental é possível também nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde equipes especializadas estão disponíveis para ajudar. Para casos mais críticos, a rede de urgência e emergência, incluindo as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), também oferece suporte. O Samu do DF, com um núcleo de saúde mental, é uma referência nacional nesse contexto.
Além disso, a subsecretária anunciou a criação de cinco novos Caps, com dois deles sendo inaugurados no primeiro trimestre deste ano. “O investimento do governo tem sido significativo”, garantiu. Essa expansão é essencial, visto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que mais de um bilhão de pessoas no mundo sofrem de problemas mentais, destacando a necessidade urgente de ações efetivas.
O Cenário Nacional e o Aumento dos Transtornos Mentais
No Brasil, o cenário também é preocupante. Segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), houve um crescimento de 143% nos afastamentos do trabalho por transtornos mentais entre 2024 e 2025. Essa situação demanda uma atenção redobrada do governo e da sociedade para que medidas eficazes sejam implementadas.
A subsecretária enfatizou a necessidade de políticas públicas integradas, que abranjam não apenas cuidados em saúde mental, mas que também considerem determinantes sociais, como condições de vida e renda. “A integração das políticas é fundamental para a promoção do cuidado em saúde mental”, ressaltou.
Desafios e Preconceitos a Serem Superados
Transtornos como ansiedade e depressão são os mais comuns no Brasil, e a comandante da PMDF, Ana Paula Habka, também se mostrou preocupada com a saúde mental dos policiais. Ela abordou as iniciativas que têm sido implementadas para melhorar o apoio emocional dentro da corporação, ressaltando a necessidade de mudar a cultura militar que muitas vezes desencoraja a busca por ajuda.
Ana Paula compartilhou uma experiência pessoal impactante: um suicídio de um policial logo após sua posse no comando. Esse evento a motivou a agir rapidamente e implementar mudanças significativas na abordagem da saúde mental dentro da Polícia Militar. Através de parcerias com a Secretaria de Saúde, foram disponibilizados psicólogos e psiquiatras para atender os policiais.
“A comunicação clara com todos os níveis da corporação é essencial”, destacou Ana Paula, que também mencionou programas destinados a capacitar policiais como guardiões da saúde mental dos colegas.
Onde Encontrar Ajuda
Para aqueles que buscam apoio, é fundamental saber onde pedir ajuda. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) são um bom ponto de partida para orientações iniciais. Além disso, em situações de emergência, o telefone 192 pode proporcionar atendimento e orientação. A Rede de Atenção Psicossocial, com os CAPS disponíveis no DF, oferece um suporte especializado para quem precisa. Em casos que exigem internação psiquiátrica, os hospitais de referência, como HSVP e Hospital de Base, estão preparados para atender.
