Um Cenário Preocupante de Crescimento

Nos últimos dez anos, os relatos de crimes motivados por preconceito têm aumentado consideravelmente no Distrito Federal, conforme informações da Polícia Civil do DF (PCDF). O aumento dos casos de discriminação religiosa, em particular, tem chamado a atenção das autoridades e das forças de segurança.

Para ilustrar a magnitude deste crescimento, vale destacar que a PCDF registrou apenas 16 ocorrências de discriminação religiosa em 2017. Em contraste, em 2025, este número saltou para 73, o que representa um alarmante aumento de 356%.

Esses dados foram obtidos pela reportagem do Metrópoles através da Lei de Acesso à Informação (LAI), abrangendo o período de 2017 até março de 2026. Apenas nos primeiros meses de 2026, já foram contabilizadas 20 ocorrências de discriminação religiosa, um número que já supera os registros de anos anteriores, incluindo 16 casos em 2017, 13 em 2018, 10 em 2019 e oito em 2020.

Outros Crimes de Preconceito em Ascensão

O levantamento da PCDF também revela um aumento significativo em outros tipos de crimes de preconceito, como injúria racial, discriminação por gênero e orientação sexual. Os casos de injúria racial, por exemplo, duplicaram: de 431 ocorrências em 2017, passaram para 870 em 2025, resultando em um aumento de 101,8%.

A análise dos dados mostra que houve um salto brusco de 2020 para 2021, quando as ocorrências passaram de 432 para 596. Desde então, os números têm se mantido em ascensão.

Os registros de injúria preconceituosa contra idosos e pessoas com deficiência também demonstraram um aumento, de 155 casos em 2017 para 212 em 2025, com 61 registros apenas em 2026.

Percepção do Aumento de Intolerância

O delegado da PCDF, Marco Farah, comenta que o crescente número de casos de intolerância religiosa reflete um “extremismo cotidiano” na população da capital federal. Ele destaca que, enquanto a injúria racial permanece como a modalidade mais frequente, a intolerância religiosa tem crescido proporcionalmente, evidenciando um lado perigoso do radicalismo presente na sociedade.

Contrariando a percepção de que a sociedade se tornaria mais intolerante, Farah argumenta que o aumento dos registros pode ser atribuído a uma maior disposição da população em denunciar essas práticas. “O que estamos vendo é que a coragem de denunciar aumentou, o que não significa necessariamente um aumento real da intolerância”, afirma.

Casos Recentes de Intolerância Religiosa

Dois incidentes recentes em apenas 15 dias exemplificam essa escalada de intolerância religiosa. A Tenda Espírita Pai Benedito do Congo foi atacada com pedras nos dias 17 e 31 de janeiro. Os ataques ocorreram enquanto rituais religiosos estavam em andamento, resultando na quebra de telhas e outros danos à estrutura.

Após a repercussão do caso em um condomínio vizinho, uma mãe procurou a polícia e informou que seu filho, um adolescente de 16 anos, foi o responsável pelos ataques.

Outro caso preocupante ocorreu em março de 2022, quando um pastor evangélico entrou armado com um facão no terreiro Ilê Axé Omò Orã Xaxará de Prata, na zona rural de Planaltina, e destruiu várias imagens sagradas pertencentes ao local.

A Necessidade de Conscientização

A escalada dos casos de intolerância religiosa no Distrito Federal revela a urgência de uma reflexão mais profunda sobre a convivência pacífica e o respeito às diferentes crenças. Campanhas de conscientização e educação são essenciais para combater esse fenômeno preocupante, que não se limita apenas à esfera religiosa, mas abrange diversos aspectos da diversidade social.

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