Novas Regras e Oportunidades para o Futebol Feminino
A Câmara dos Deputados deu um passo importante ao aprovar um projeto de lei que estabelece os direitos e deveres da União e da Federação Internacional de Futebol (FIFA) em relação à Copa do Mundo de Futebol Feminino, marcada para ocorrer no Brasil em 2027. Com a aprovação do Projeto de Lei 1315/26, que agora será enviado ao Senado, espera-se um novo impulso para o futebol feminino no país.
O projeto, elaborado pelo Poder Executivo e sob a relatoria da deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), foi destacado como fundamental para o avanço do esporte, enfatizando não apenas a importância esportiva, mas também os benefícios sociais e institucionais. Hoffmann argumenta que a proposta visa aumentar a visibilidade do futebol feminino e fortalecer a formação de atletas e a construção de um público fiel.
Propaganda de Bebidas Alcoólicas e Seus Impactos
Dentre as inovações introduzidas pelo projeto, destaca-se a permissão para a propaganda de bebidas alcoólicas durante as transmissões dos eventos oficiais, como jogos e treinos, o que contraria as regras existentes. As transmissões em rádio e TV também poderão veicular essas publicidades fora do horário restrito, das 22h às 6h. A proposta se estende às redes sociais e outros meios digitais, permitindo que esses anúncios sejam veiculados amplamente.
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Essa mudança na legislação pode proporcionar um novo cenário financeiro para o torneio, contudo, a relatora enfatizou que essa autorização não isenta a observância das normas sanitárias, que continuam a vigorar.
Comércio e Exclusividade nos Eventos
Outro aspecto relevante do projeto é a inclusão da Medida Provisória 1335/26, que regula questões como comercialização e direitos de imagem nos locais de eventos. A venda de bebidas alcoólicas, que antes estava sujeita a restrições, agora poderá ocorrer dentro dos estádios, proporcionando uma nova fonte de receita.
Além disso, o texto define regras de exclusividade para a FIFA e seus parceiros comerciais, assegurando que todos os direitos relacionados à exploração comercial dos eventos, incluindo imagens, sons e marcas, sejam mantidos sob sua titularidade. Essa exclusividade é um marco importante em relação às normas estabelecidas para a Copa de 2014, garantindo também ao governo federal o direito de usar seus slogans e símbolos em campanhas de interesse público.
Liberação e Edição de Imagens
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O projeto também regulamenta a liberação de imagens para veículos de comunicação que não têm autorização para transmitir as partidas. Após o término de cada evento, as emissoras poderão exibir pequenos trechos, limitados a 30 segundos, para fins jornalísticos, desde que sejam utilizados dentro do prazo de 24 horas, evitando qualquer associação com publicidade ou promoções.
A FIFA deverá fornecer gravações de até 6 minutos dos principais momentos dos eventos, que serão disponibilizadas para as emissoras, garantindo que todos os envolvidos sigam as diretrizes estabelecidas, inclusive nas transmissões digitais.
Premiação às Jogadoras e Reparação Histórica
Uma das medidas mais significativas prevê a premiação de R$ 500 mil para cada jogadora da seleção brasileira de futebol feminino que participou do Torneio Experimental FIFA de 1988 na China, além das jogadoras que participaram da primeira Copa do Mundo FIFA em 1991. Com isso, o número de beneficiárias passa de 18 para 30, refletindo uma tentativa de reparação histórica por parte do Estado, que, durante anos, impediu a prática esportiva feminina.
Gleisi Hoffmann enfatizou a necessidade de promover o futebol feminino como uma questão de justiça histórica, lembrando que durante muito tempo, mulheres foram impedidas de praticar esportes considerados inadequados pela sociedade. “É dever do Estado corrigir essas injustiças”, afirmou.
Impactos nos Calendários e Feriados
Por fim, o projeto prevê a possibilidade de a União decretar feriado nacional nos dias em que a seleção brasileira jogar durante o torneio. Estados e municípios também poderão declarar feriados ou pontos facultativos, enquanto os calendários escolares deverão ser ajustados para permitir que as férias do primeiro semestre de 2027 abrangem o período da Copa.
As medidas propostas visam não apenas promover o evento, mas também garantir que o futebol feminino receba o reconhecimento e a visibilidade que merece, refletindo a evolução da sociedade em relação à igualdade de gênero no esporte.

